Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Companhias abertas discutem normas para divulgação de ações ambientais e sociais

Associação que reúne grandes empresas no Brasil participa de consulta pública de entidade global que define padrões de divulgação de informações

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 14h14

RIO - A maioria das grandes companhias do Brasil já vinha se preparando para melhorar suas ações ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) e a forma como as monitoram e comunicam, o que reduz a preocupação com a onda sobre o assunto que ganhou corpo no mercado este ano, disse Eduardo Lucano, presidente executivo da Abrasca, entidade que representa as empresas abertas. 

Para ele, a ideia de que ações nessa área têm a ver apenas com imagem corporativa já ficou "meio para trás" no mundo corporativo. Companhias com as melhores práticas e que incluem essa visão em seu planejamento estratégico saem na frente, diz.

Segundo o executivo da Abrasca, está claro no mercado que "os investidores estão considerando fatores ESG". As companhias que ficarem no fim da fila para adotar uma estratégia de ESG e comunicá-las corretamente aos investidores serão punidas financeiramente, com um "valuation" (cálculo de valor da empresa) pior do que os pares de seu setor. "O primeiro reflexo é a perda de 'valuation' e, consequentemente, o aumento do custo de capital. A segunda consequência é ter mais dificuldade de fazer captações, que terão menos investidores participando", afirmou Lucano.

Para o executivo, o Brasil "tem um potencial fantástico" em relação ao desenvolvimento sustentável e de baixa emissão de carbono. A matriz energética é "ótima", a legislação de proteção ambiental é relativamente boa e há boas práticas de sustentabilidade, especialmente no setor empresarial. O problema, segundo Lucano, é que o País "não está conseguindo aproveitar" seu potencial, porque "está perdendo a batalha do discurso, sendo visto intencionalmente como país que não cumpre, não atende, não faz por onde" na área ambiental, mas "o Brasil está pior no discurso do que na realidade".

Não se trata de considerar que está tudo bem, mas constatar que, mesmo diante da criticada política ambiental do governo federal, os problemas são pequenos quando comparados aos avanços. Para Lucano, as grandes companhias estão fazendo sua parte ao dar "recados" para o governo sobre a importância do desenvolvimento sustentável para seus negócios.

Desde o início do mês, a Abrasca tem discutido internamente com os associados uma contribuição conjunta para a consulta pública global da Fundação IFRS para avaliar a demanda por padrões globais de sustentabilidade.

Lançada em 30 de setembro, a consulta está aberta para comentários até 30 de dezembro. Um dos pontos em discussão pela entidade global que define padrões de divulgação de informações pelas companhias abertas com ativos negociados nos mercados é justamente se é o caso de criar normas internacionais de divulgação sobre ações ESG, junto dos balanços financeiros.

Segundo Lucano, a proposta da Abrasca ainda está em discussão, por isso, não há sequer linhas gerais sobre o que será enviado à consulta pública. Ainda assim, o executivo da entidade ponderou que "as regras não podem engessar demais" a divulgação das informações. 

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