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Conselheiro da Petrobrás desiste de novo mandato e cita 'incapacidade' do governo em agir

Representante dos acionistas minoritários da estatal, Mauro Cunha enviou carta à companhia explicando os motivos de sua renúncia; confira a íntegra

Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 15h54


Mauro Cunha, presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec) e representante dos acionistas minoritários da Petrobrás, comunicou à companhia que não concorrerá novamente a uma cadeira no conselho de administração da estatal. A Petrobrás informou a decisão do conselheiro, que ocupou o posto por dois anos, em comunicado ao mercado na noite desta segunda-feira, 30.

Em carta enviada à empresa e obtida pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, o executivo cita 'frustração pessoal' com a 'incapacidade do acionista controlador (a União) em agir' diante dos problemas que a companhia enfrenta. 

A reunião para eleger os membros do colegiado, assim como do conselho fiscal,  acontece no próximo dia 29 de abril. Nela, deveriam ser aprovadas as demonstrações financeiras da empresa referentes ao ano passado. Entrentanto, a Petrobrás informou que ainda não finalizou os trabalhos.  

Confira a íntegra da carta de Mauro Cunha à Petrobrás:

"Tendo em vista minha frustração pessoal com a incapacidade do acionista controlador em agir com o devido grau de urgência para a reversão dos inúmeros problemas que trouxeram a Petrobrás à sua atual situação - o que ficou ainda mais evidente com as propostas à assembleia geral ordinária (AGO) de 2015 - informo que não pretendo lançar meu nome como candidato para um novo mandato.

Agradeço a honra e a confiança em mim depositada nestes dois anos e faço votos de que a comunidade de acionistas e trabalhadores defendam a Petrobrás dos abusos cometidos contra a companhia.

Mauro Cunha" 

Imbróglio. Desde o fim do ano passado, as demonstrações financeiras da Petrobrás não são divulgadas de acordo com as regras do mercado por conta do escândalo de corrupção deflagrado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. 

Em janeiro, a companhia publicou com atraso de três meses seu balanço do terceiro trimestre de 2014, sem a chancela de uma empresa de auditoria independente - um selo que garante a confiabilidade dos números - por não conseguir estimar as perdas com corrupção.

Em relação ao quarto trimestre do ano passado, a estatal corre contra o tempo para calcular os prejuízos e ter os números aprovados pela auditoria. Já com a nota de crédito rebaixada pela agência Moody's, a Petrobrás corre o risco de perder o grau de investimento - o selo de boa pagadora - também segundo a avaliação da agência de classificação de risco Standard & Poor's. 

Caso não publique os resultados auditados até 30 de abril, a companhia pode perder capital e agravar ainda mais sua situação financeira.

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