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Corrupção, fraude e evasão levaram para fora do Brasil quase 10% do PIB em dez anos

Países emergentes registraram fuga de capitais ilícitos de quase US$ 1 tri em 2012, aponta levantamento da Global Financial Integrity

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2014 | 22h32

GENEBRA - O Brasil registrou a fuga de mais de US$ 216 bilhões nos últimos dez anos, alvo de desvios, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal. O valor representa quase 10% do PIB e coloca o Brasil como a sétimo maior vítima da fuga ilícita de capitais entre as economias emergentes.

Os dados são da entidade Global Financial Integrity, com sede em Washington, e que monitora o fluxo de recursos pelo mundo a partir de um cruzamento de dados de 151 economias, balança de pagamentos do FMI, Banco Mundial, dos dados comerciais da ONU, de bancos e registros.

A ONG aponta que, em 2012, o Brasil teria registrado uma fuga de mais de US$ 33 bilhões e que, em média desde 2003, US$ 21,7 bilhões saíram anualmente do País.

Com esses dados, a economia brasileira é a sétima que mais sofre uma sangria no mundo por conta da corrupção. A liderança é da China, com um acumulado de perdas em dez anos de US$ 1,2 trilhão, seguida por Rússia, México e Índia.

Segundo a entidade, desde 2003, US$ 6,6 trilhões "foram roubadas das economias emergentes". Apenas em 2012, um recorde de US$ 991 bilhões deixaram os países emergentes, 9,4% acima dos volumes de 2011 e duas vezes superior ao crescimento da economia mundial.


"Os fluxos ilícitos de capitais são os problemas mais graves que as economias emergentes enfrentam", alertou Raymond Baker, presidente da entidade e pesquisador.

Segundo ele, o que emergentes perdem por ano é superior ao volume acumulado de investimentos e doações dos países ricos. "Quase US$ 1 trilhão está sendo roubado dos pobres do mundo", disse.

Em termos de investimentos diretos, os emergentes receberam US$ 789 bilhões em 2012, contra uma ajuda oficial dos governos ricos de US$ 89 bilhões.

Uma das formas mais eficientes de promover a fuga desse dinheiro é por meio de superfaturamento, que representa 77% dos fluxos ilegais identificados.

Segundo o informe, essa realidade tem "profunda consequência aos países emergentes". "A hemorragia de um trilhão de dólares em 2012 poderia ter sido investido no comércio local, em saúde, educação e infra-estrutura", indicou a entidade. "Isso teria contribuído para um crescimento inclusivo, criação de postos de trabalho e orçamentos públicos equilibrados", completou.

 

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