Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Crise aumenta busca por transparência

Turbulência econômica e Lava Jato aumentam a conscientização do empresariado sobre boas práticas de governança

O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2015 | 05h00

O reforço da percepção de que é preciso mais transparência nos negócios foi uma das principais lições que o ano de 2015 trouxe para os empresários. 

As crises na economia e na política e os desdobramentos da Operação Lava Jato deixaram executivos em alerta, aumentar a busca por transparência nas relações com clientes, investidores, fornecedores e governos.

Para Camila Araújo, sócia da consultoria Deloitte, “percebeu-se que, quando há ruído na comunicação, é maior o risco de perda de participação no mercado e da confiança de consumidores e investidores, nacionais e internacionais”. Ela destaca a importância que a comunicação das empresas com o mercado e com a sociedade adquiriu em um contexto de piora dos níveis de confiança.

Sócia do escritório Souza, Ceson, Barrieu & Flesch Advogados, Fabíola Cammarota considera a regulamentação da Lei Anticorrupção como o principal avanço: “À medida em que se implementam esses mecanismos, a governança se torna mais relevante”, diz.

Já para Roberto Di Cillo, sócio da Alceris Consulting, a verdadeira revolução foi trazida pela delação premiada, sem a qual não seria possível descobrir os esquemas de corrupção revelados pela Lava Jato: “Centenas de milhões de reais já foram recuperados em tempo recorde, e vale dizer que a um relativo baixo custo”.

Gastos. Os tempos de aperto também mostraram a importância de uma boa gestão do caixa, uma vez que o financiamento se tornou mais caro e, ao mesmo tempo, o nível de endividamento bateu recorde. Presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, Idésio Coelho vê uma mudança na visão quanto aos gastos nos negócios: “O grande legado do ano é justamente essa postura mais atenta a custos e mais exigente no cumprimento das normas, algo que já vinha evoluindo, mas ganhou mais força”.

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