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Ouvidorias destacam-se como instrumentos de governança corporativa e ajudam a delinear agenda ESG

Consolidada na administração pública, função ainda não está disseminada no setor privado

Cristiano Andrade*, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2022 | 04h00

Pesquisa recente da Edelman Trust Barometer apontou que, no Brasil, 64% dos entrevistados afirmam confiar nas empresas. Para selar essa relação de confiança, as ouvidorias certamente podem ser mais utilizadas pela sociedade e compreendidas de forma mais clara pelas organizações. Consolidada na administração pública, essa função corporativa ainda não está amplamente disseminada no setor privado.

Diante das crises sanitária, econômica e climática que afligem o planeta, as pessoas contam com ações tanto dos governos quanto das empresas.

Por essa razão, o compromisso com a sustentabilidade passou a ser um fator relevante para a atração de investidores, pautando o que se tem denominado de capitalismo de stakeholders, no qual as empresas passam a se preocupar efetivamente com todas as partes interessadas.

Nesse contexto, as ouvidorias destacam-se como instrumentos de governança corporativa para considerar os legítimos interesses que gravitam em torno das atividades empresariais. Isso porque a escuta atenta das pessoas é um dos requisitos para delinear uma agenda ESG – sigla em inglês para meio ambiente, social e governança –, contribuindo para a melhoria dos processos corporativos, da ambiência interna e do relacionamento com a sociedade.

Na Petrobras, a ouvidoria tem contribuído para que a nossa cultura corporativa esteja em sintonia com os valores da sociedade e com os novos modelos de governança e de liderança, que se caracterizam pelo respeito ao meio ambiente e às comunidades afetadas pelas externalidades do negócio, pela abertura às reivindicações de equidade de gênero e raça e pelo respeito à diversidade e à orientação sexual dos funcionários.

Em 20 anos de atuação, a ouvidoria tratou mais de 310 mil manifestações, entre reclamações, denúncias e solicitações de informação. Desde 2012, é responsável pelo Portal da Transparência da Petrobras.

Em 2015, reestruturou o Canal de Denúncia da companhia, implementando matriz de classificação de riscos para as denúncias e uma metodologia robusta de prevenção e de apuração de assédio moral, sexual e de discriminação. Recentemente, publicamos a Diretriz de Proteção aos Denunciantes e, em breve, sistematizaremos a nossa atuação em resolução de conflitos.

Ao dialogar de forma franca e transparente com as partes interessadas, as ouvidorias cultivam um ambiente de confiança necessário para reafirmar o respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente, abrindo caminhos para o exercício da cidadania corporativa. 

* OUVIDOR-GERAL DA PETROBRAS 

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