CVM portuguesa vê 'riscos' em venda da PT

RIO - A dois dias da reunião para decidir sobre a venda da Portugal Telecom, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) avaliou que ainda há aspectos a serem esclarecidos antes dos acionistas da holding PT SGPS votarem sobre a venda da operadora ao grupo francês Altice por 7,4 bilhões. O órgão voltou a pedir mais informações sobre a operação para PT SGPS, pegando de surpresa os acionistas da Oi.

MARIANA SALLOWICZ, MONICA SCARAMUZZO , O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2015 | 02h05

A reunião, remarcada para amanhã, após ter sido adiada no último dia 12, corre o risco de ser novamente postergada.

No dia 15, a PT SGPS já tinha enviado informações adicionais, a pedido da CMVM. A PT SGPS tem 25,6% da Oi, que, por sua vez, é dona da PT Portugal.

Um dos pontos que tinham sido levantados pela CMVM é sobre a auditoria realizada pela PwC a respeito das aplicações de tesouraria da PT SGPS em entidades do Grupo Espírito Santo (GES), após calote de 897 milhões dado pela Rioforte. A análise foi feita a pedido do conselho de administração da PT SGPS em agosto, mas a CMVM destaca que houve "limitações relevantes".

Nos últimos dias, tanto as ações da Oi quanto as da PT SGPS desabaram nas bolsas, diante das incertezas sobre o futuro das duas companhias.

Processo. Fontes ligadas à Oi afirmam que somente os acionistas da operadora e da PT SGPS podem suspender a assembleia, com base na lei portuguesa. No entanto, o presidente da assembleia, António Menezes Cordeiro, que é um consultor independente, pode sugerir o adiamento. Ele foi a favor do adiamento da reunião e defendeu a reversão da fusão. "Há disposição de parte dos acionistas da PT, como os fundos, por exemplo, de acionarem o presidente da mesa judicialmente, se a reunião for adiada", afirmaram as mesmas fontes. O argumento é que o novo adiamento poderá destruir ainda mais o valor das duas companhias, prejudicar os clientes e até os trabalhadores, diante das incertezas criadas com mais esse recente impasse.

Em documento enviado ontem à CMVM e ao presidente da mesa da assembleia da PT SGPS, o presidente da Oi, Bayard Gontijo, informou que Henrique Granadeiro, ex-presidente da holding PT SGPS, prestou "informações falsas" em carta enviada à CMVM e a Cordeiro, no último dia 13. No documento, ao qual o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, teve acesso com fontes do setor, Gontijo disse ainda que Granadeiro "não satisfeito" deu publicidade "de forma ostensiva" ao comunicado que promoveu, por meio de declarações a diversos órgãos de comunicação social. A Oi avalia processá-lo.

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