Disputa por assento na Petrobrás será acirrada, diz candidato

Guilherme Ferreira, que tem o apoio de 14 fundos estrangeiros, concorre com Otavio Yazbek,indicado pelo Bradesco

FERNANDA NUNES, MARIANA DURÃO, O Estado de S.Paulo

16 Abril 2015 | 02h05

RIO - Candidato a um dos assentos destinados aos acionistas minoritários na Petrobrás na chapa apoiada pela Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Guilherme Affonso Ferreira avalia que a prioridade número um da estatal deve ser a solução de sua "grave" situação financeira. Em entrevista ao Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, o indicado à vaga dos preferencialistas aponta que a eleição, marcada para o dia 29, terá um perfil diferente neste ano por conta da maior pulverização das participações acionárias de alguns grandes investidores estrangeiros.

Maiores detentores de ações preferenciais da companhia, os fundos, como a escocesa Aberdeen, tiveram um papel fundamental na vitória de José Guimarães Monforte para a vaga em 2014. Monforte substituiu o empresário Jorge Gerdau, que, apesar de ocupar a vaga de minoritário, votava em linha com o governo e era eleito com apoio de fundos de pensão de empresas estatais. A expectativa de Ferreira é que a disputa neste ano seja mais acirrada diante da redução das posições de alguns grandes fundos estrangeiros ao longo do último ano.

Dono da Bahema Participações e com experiência como conselheiro de mais de 20 empresas nos últimos 15 anos - atualmente está presente em Gafisa, Valid, SulAmérica, T4F e Arezzo -, Ferreira recebeu o apoio de 14 fundos estrangeiros liderados por Robeco, F&C e Hermes. O oponente de Ferreira é Otavio Yazbek, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e indicado pela Bradesco Asset Management (Bram), comandada há até pouco tempo pelo atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Ambos, Ferreira e Yazbek, são nomes reconhecidos pelas suas atuações no mercado de capitais. E os dois receberam carta branca para atuar com independência, segundo fonte. Mas, por causa das indicações que receberam, estão sendo vistos como representantes de linhas opostas em uma possível eleição ao conselho da petroleira.

No último ano, as reuniões do conselho de administração foram marcadas pela divisão entre os acionistas representantes da União, sócia majoritária da empresa, e os representantes dos minoritários. A divergência se concentrou, principalmente, no que os dois grupos consideravam ser o melhor direcionamento a ser adotado na empresa - se mais político e social ou mais focado nos interesses dos investidores, o que inclui uma série de obrigações de transparência de informações e prestação de contas.

"Liberal em política econômica", como se autodefiniu, Ferreira contou que ao ser consultado sobre o interesse em se candidatar ao assento na cúpula da Petrobrás pensou "umas 45 vezes", por causa da crise atual na qual a petroleira está inserida. Por fim, aceitou. "É uma etapa muito importante para o mercado de capitais brasileiro se tornar adulto", disse.

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