Em meio a incertezas, ações da Petrobrás caem à espera de balanço

Em meio a incertezas, ações da Petrobrás caem à espera de balanço

Analistas evitam comentar ou fazer previsões sobre o que pode ser divulgado; publicação de dados financeiros foi atrasada mais de uma vez por causa da investigação de corrupção na empresa

Marta Nogueira, Reuters

26 de janeiro de 2015 | 21h08

Atualizado em 27/1, às 10h33

O mercado abriu nesta terça-feira, 27, sob expectativa da possível divulgação do balança do 3º trimestre da Petrobrás. As ações da empresa operavam em queda forte por volta das 10h33: papéis preferenciais, com recuo de 2,83%; e ordinários, de 3,04%.

O Ibovespa também abriu o dia em queda. Por volta do mesmo horário, recuava 1,84%, ao nível de 48,576 mil pontos.

Neste cenário de incertezas, analistas evitam comentar ou fazer previsões sobre o que pode ser divulgado. Os números operacionais do período já são conhecidos, mas a publicação dos dados financeiros foi atrasada mais de uma vez devido à operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás.

"A gente não sabe nem o que falar, o que esperar, está todo mundo um pouco tenso com isso, mas espero que ele (balanço) saia e consigam acalmar os ânimos um pouco", afirmou a analista Mariana Bertone, da corretora GBM.

Embora muitos analistas procurados pela Reuters tenham preferido manter-se em silêncio, aguardando os desdobramentos do caso, os que aceitaram falar com a reportagem manifestaram incerteza e muita cautela.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, ressaltou que a publicação de números não auditados traz bastante dificuldade para os atuais executivos da petroleira. "Eles serão responsáveis por qualquer número que saia ali, não vão ter a cobertura da auditoria", frisou Pires.

Segundo informações da PF, de procuradores do Ministério Público e de delatores do caso, executivos da estatal indicados por partidos políticos conspiraram com empresas de engenharia e construção do país para sobrevalorizar refinarias, navios e outros bens e serviços da Petrobrás. Os valores excedentes dos projetos teriam sido desviados para executivos, políticos e partidos.

No início do mês, a companhia disse que apresentará as demonstrações contábeis não auditadas ao Conselho de Administração em 27 de janeiro, e que a divulgação dos números nessa data dependerá de "resultado da reunião".

Também no começo de janeiro, a Reuters publicou que a Petrobrás planeja contabilizar toda a esperada perda de bilhões de dólares decorrente do escândalo, segundo fonte com conhecimento direto do assunto.

Para o diretor do Cbie, o reconhecimento de baixas relacionadas à corrupção será uma decisão delicada. "Eles fazendo isso (baixa contábil), vão assinar um papel dizendo que houve corrupção. E aí como faz? Envolve quem, quem fez, onde estão as pessoas?", indagou. "Para mim não vai ser surpresa se eles adiarem mais uma vez."

Como os números previstos não serão auditados pela PriceWaterhouse&Coopers (PwC), o advogado e sócio da área de óleo e gás do escritório Veirano Advogados, Alexandre Calmon, acredita que possíveis baixas contábeis deverão ser apresentadas de forma conservadora.

"Eu tenho dificuldade em achar que vamos ver, em um primeiro momento, uma quantidade enorme de baixas contábeis, até porque não está muito clara a extensão das denúncias", afirmou ele, para quem a celeuma entre Petrobrás e auditoria externa deve estar na definição do que deve ser contabilizado como baixa.

"Se fosse uma questão de se ter todas as baixas possíveis, não vejo porque uma auditoria independente se negaria a assinar o balanço", afirmou o advogado, acrescentando que a falta da chancela do auditor vai dar margem para muita especulação.

"O que para mim parece a grande armadilha é que a Petrobrás vai apresentar números não auditados, que basicamente ela vai querer que os analistas confiem, em um cenário onde a credibilidade da diretoria da Petrobrás anda absolutamente em cheque", afirmou Calmon.

Há ainda quem acredite que não sejam registradas quaisquer baixas contábeis na terça-feira.

Questionado se a publicação do balanço pode reduzir a ansiedade do mercado em relação à Petrobrás, o analista Henrique Florentino, da UM Investimentos, afirmou que vai depender de possíveis reconhecimentos de baixas contábeis por corrupção.

"Acredito que a companhia esperará a revisão dos auditores para realizar baixas, porém qualquer sinalização nesse sentido pode minimizar o receio do mercado com as potenciais perdas", disse Florentino.

Em vídeo publicitário que começou a ser veiculado no fim de semana, a Petrobrás afirma que "década após década, desafio após desafio, seguimos em frente. Recentemente fizemos uma descoberta que surpreendeu o mundo: o pré-sal. Hoje os desafios são outros. Por isso, estamos aprimorando a governança e a conformidade na gestão". (Com Agência Estado)

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