Em seminário do TCU sobre governança, autoridades ignoram nova fase da Operação Lava Jato

Presidente do TCU, Augusto Nardes não comentou operação que prendeu dirigentes de empreiteiras, suspeitas de pagar propina no suposto esquema de lavagem de dinheiro na Petrobrás; Michel Temer também ignorou tema em discurso no evento

Ricardo Brito, Anne Warth e Nivaldo Souza, Agência Estado

17 de novembro de 2014 | 16h47

Autoridades do governo federal, do Congresso Nacional e do Tribunal de Contas da União (TCU) ignoraram, durante a abertura esta tarde do Seminário "Pacto pela Boa Governança: Um Retrato do Brasil", a nova fase da Operação Lava Jato, ação deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal que levou à prisão dirigentes das principais empreiteiras do país. O evento, promovido pelo TCU, tem por objetivo identificar as deficiências na gestão pública e apontar soluções.


O presidente do TCU, ministro Augusto Nardes, não fez qualquer menção à ação durante seu discurso inaugural. Antes do evento, durante entrevista coletiva, Nardes disse que é importante encontrar meios para ressarcir a União diante dos desvios na Petrobras, mas se posicionou contrariamente a paralisar obras públicas. Depois, no discurso em que apresentou os pontos do retrato que a Corte está fazendo de governança, repetiu o fato de que a Petrobras vai criar uma diretoria de compliance.


O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), também passou ao largo do assunto no seu pronunciamento, no qual fez questão de exaltar a "transparência" do Poder Legislativo. Convidado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não compareceu ao evento. Ele foi citado na delação premiada feita pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. 


O presidente em exercício da República e presidente do PMDB, Michel Temer, ignorou o tema durante seu discurso. No pronunciamento, Temer disse que era preciso, apesar da "quilometragem" que tem na vida pública e na vida privada, dizer "algumas obviedades". Ele destacou que, após o momento político-eleitoral, começa o momento "político-administrativo".


Temer criticou "um ou outro" que se consideram representantes da divindade da terra, como na época do absolutismo. "O que devemos fazer, Executivo, Legislativo e Judiciário é reunificar os esforços para o bem comum", destacou.


O presidente em exercício disse ainda que a situação e oposição também devem conviver pelo bem comum e que, no Estado democrático, a oposição ajuda o governo a governar quando faz críticas e contesta decisões tomadas pelo chefe do Executivo. 


"Essa é a ideia jurídica da oposição, mas muitas, muitas vezes, eu vejo nos municípios e nos Estados, é uma ideia política (da oposição), aquele que perde a eleição deve opor-se sistematicamente e não é oposição para ajudar a governar. Quando se tem oposição e situação, temos dois vetores da sociedade para ajudar a governar até chegar ao novo momento político-eleitoral, que é a eleição", afirmou.

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