Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Espero que assembleias digitais sejam legado de medidas por covid-19, diz presidente da CVM

De acordo com Barbosa, a medida aprimorou o sistema geral, permitindo que sejam feitas assembleias presenciais e parcialmente ou totalmente digitais

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 12h07

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Barbosa, espera que as assembleias digitais sejam um legado permanente das medidas tomadas pela autarquia para minimizar o impacto da pandemia do novo coronavírus no mercado de capitais.

Segundo ele, até o momento não houve registro de nenhum problema trazido pela nova modalidade. "As assembleias digitais já foram adotadas por várias companhias e ainda serão, espero que seja um legado que fique para os emissores", afirmou em videoconferência promovida nesta sexta-feira, 5, pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon).

De acordo com Barbosa, a medida aprimorou bastante o sistema geral, permitindo que daqui para frente sejam feitas assembleias presenciais e parcialmente ou totalmente digitais. "Isso são evoluções que a gente acha importante", observou.

O titular da CVM, que completa três anos no cargo em agosto, avaliou que a pandemia acelerou algumas ações que já estavam no radar, e que a grande preocupação foi manter a transparência em informações necessárias para o mercado, mesmo que postergadas, assim como mostrar flexibilidade por parte do regulador.

Ele observou que a crise atual foi mais severa que a vivida pelo mundo em 2008, e lembrou que o circuit breaker (mecanismo utilizado para interromper temporiamente as negociações na Bolsa) chegou a ser acionado seis vezes em um único mês na B3. "O circuit breaker mostrou que funciona e o mercado continuou operando, passamos por ele, o mercado se mostrou resiliente", avaliou.

Barbosa disse que entre as preocupações de médio e longo prazo está a liquidez de companhias de menor porte, que "devem ser afetadas de forma ainda mais dramática (pela pandemia)", e que já há algum tempo vem tentando tomar medidas que viabilizem o acesso ao mercado de capitais para essas companhias.

"Até dentro do âmbito do IMK, junto com outras instituições do governo, Ministério da Economia, Banco Central, Susep e Previ a gente tem trabalhado nessa frente", disse, referindo-se ao grupo de trabalho (IMK) criado pelo Banco Central no ano passado para desenvolver o mercado de capitais.

Ele aposta no crescimento do mercado, entre outros fatores, pela queda da taxa de juros, e informou que quando chegou à CVM, em 2017, existiam 600 mil investidores pessoas físicas, "e hoje está próximo de 2 milhões. Claro que são investidores com tíquete mais baixo, mas é alvissareiro", afirmou.

"Não apenas a redução de juros, mas também pelas ferramentas tecnológicas que facilitam muito, deixaram tudo mais fácil, mas por isso mesmo é importante que o conteúdo das informações (das empresas) seja cada vez mais claras, reforça a importância da educação financeira", explicou Barbosa aos auditores.

"Espero que esse número aumente bastante, mas é uma questão de cultura do País. Tenho dois anos ainda à frente, vamos nos esforçar para encontrar resultados cada vez melhores", concluiu.

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