Executivos sabiam de aplicação da PT

Segundo fontes, relatório aponta que ex-presidente da Oi estava ciente da operação em títulos podres feita pela Portugal Telecom

MARIANA SALLOWICZ / RIO , O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2014 | 02h01

O resultado da auditoria realizada a pedido dos sócios portugueses da Portugal Telecom (PT) após calote de 897 milhões dado pela Rioforte, braço não financeiro do Grupo Espírito Santo (GES), vai apontar que houve falhas de executivos no caso e indicará ao menos cinco nomes que sabiam da operação em títulos podres, informou ao 'Estado' uma fonte a par do assunto. Entre eles, estaria Zeinal Bava, ex-presidente da Oi. Ele também foi executivo da PT por mais de dez anos, onde também ocupou a presidência.

De acordo com a fonte, os outros nomes que serão indicados pela auditoria da PricewaterhouseCoopers (PwC) são Luís Pacheco de Melo, ex-diretor financeiro da PT, e Henrique Granadeiro, ex-presidente da PT. Além deles, foram envolvidos Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), e Amílcar Morais Pires, ex-CFO do BES. A instituição financeira, uma das principais acionistas da PT, está envolvida em uma grave crise em Portugal. O resultado deve ser divulgado na próxima semana.

Os acionistas brasileiros da CorpCo, resultado da fusão entre PT e Oi, garantem que não sabiam da operação feita em meio ao processo de união das empresas. O escândalo estremeceu as relações entre as operadoras, que revisaram os termos do acordo. Bava sempre afirmou que não tinha informações sobre a operação. O Estado não conseguiu localizar o executivo ontem para comentar o caso.

Segundo a fonte, a auditoria vai concluir que não se tratou de uma decisão corporativa, mas sim desses executivos. "Não foi uma decisão de colegiado. Os executivos fizeram o investimento à revelia (das empresas). Então, têm que pagar por isso", afirmou a fonte.

Em agosto, um mês após o calote, foi anunciada a saída de Bava da presidência do conselho de administração da controlada PT Portugal. Recentemente, ele deixou também o comando da Oi, em meio a desgastes por causa do episódio com os sócios brasileiros. No caso dele, pesa desfavoravelmente o fato de que, no momento da aplicação, acumulava as presidências da Oi e da PT Portugal.

Prejudicada. Os acionistas da Oi defendem que a companhia, em meio ao processo de fusão com a tele portuguesa, foi enganada e é a principal prejudicada pelo calote. A avaliação é de que todas as medidas cautelares possíveis foram tomadas pela tele e pelos bancos que participaram do aumento de capital, parte do processo de fusão. O aumento de capital foi feito em abril, com a coordenação do BTG Pactual, também sócio da Oi.

Apesar disso, a análise é de que não era possível saber se os títulos podres tinham sido adquiridos escondidos dos sócios brasileiros e de membros do conselho de administração da PT.

"Havia todos os atestados de que a noiva (PT) era perfeita", disse a fonte. Após a confirmação do calote, a Oi e a PT fizeram um acordo em que a participação dos portugueses na nova empresa, a CorpCo, caiu de 37,4% para 25,6%.

Entre as ações cautelares, foi contratado o banco Santander para fazer a avaliação dos ativos da PT, que foram incorporados no aumento de capital. Na visão dos acionistas da Oi, erros na análise dos ativos da PT, que foram atribuídos na capitalização da Oi e estimados em R$ 5,7 bilhões, devem ser atribuídos à instituição financeira. "(O Santander) Foi contratado e pago para esse fim específico, só que também não conseguiu detectar o problema (dos títulos podres), mas tinha a obrigação de fazer a diligência". A instituição pode ser processada por acionistas da Oi pela suposta falha. Procurada, não se pronunciou até o fechamento desta edição. O Estado também não conseguiu contato com os demais executivos.

O banco teria sido também enganado porque os títulos da Rioforte teriam sido escondidos dele, de acordo com a fonte.

Além disso, durante o procedimento chamado "bring down due dilligence", em que administradores das empresas são questionados se há dados novos que deveriam ser públicos, Melo, ex-diretor financeiro da PT, negou. A conversa foi gravada e contou com participação de advogados, disse a fonte.

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