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Ferramenta permite avaliar práticas de governança de startups; veja como funciona

Objetivo de ferramenta do IBGC é auxiliar empresas a evoluir nos modelos de governança corporativa, melhorando suas práticas e gerando valor para o negócio 

Heloísa Scognamiglio, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 17h00

É comum o pensamento de que a governança corporativa só está presente em grandes empresas, especialmente as de capital aberto, e em estatais, mas as boas práticas também são importantes para alavancar os negócios nas startups e scale-ups. 

Para auxiliar essas empresas na evolução na sua governança, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) oferece a Métrica de Governança Corporativa para Startups & Scale-ups, ferramenta gratuita que permite às empresas realizar uma autoavaliação de suas práticas. 

"A governança permite melhorar o processo decisório, fazer os controles adequados e facilitar prestações de contas, dando mais segurança para todos os envolvidos naquela startup ou scale-up", diz Luiz Martha, gerente de Pesquisa e Conteúdo do IBGC. "Essa ferramenta vem para auxiliar no processo de adoção de boas práticas." 

A ferramenta foi desenvolvida em parceria com um grupo de trabalho formado na Comissão de Startups & Scale-ups do IBGC, que conta com diversos atores do ecossistema de startups brasileiro. Até mesmo startups que ainda não foram formalmente constituídas, que ainda estão no estágio de ideação, podem usar a ferramenta. 

Como funciona?

Para usar a plataforma, é necessário se cadastrar gratuitamente. Não há período de inscrição e esse cadastro pode ser feito a qualquer momento. A organização interessada também indica um representante, que será responsável por usar a ferramenta o será o ponto de contato da empresa com o IBGC. 

O sistema de avaliação consiste no preenchimento voluntário de um formulário, que irá analisar e pontuar a adesão da startup às melhores práticas de governança corporativa. A análise tem como base a publicação "Governança Corporativa para Startups & Scale-ups", do IBGC, que recomenda as melhores práticas para startups dentro de quatro pilares: Estratégia e Sociedade; Pessoas e Recursos; Tecnologia e Propriedade Intelectual; Processos e Accountability. 

"Não há nenhum tipo de validação ou auditoria para as práticas que as empresas afirmam adotar no formulário", diz Eduardo Mattos, coordenador de Pesquisa e Conteúdo do IBGC. "Cuidamos do banco de dados e damos suporte às dúvidas que as startups e os usuários possam ter ao longo do preenchimento, mas não conferimos se o que é declarado é realmente realizado, pois é uma ferramenta de autoavaliação, para uso da própria gestão da startup", diz. 

Após o preenchimento do formulário, a startup recebe um relatório com o resultado, que oferece um diagnóstico importante sobre seu nível de maturidade em governança. Assim, é possível observar melhor a realidade da empresa e quais lacunas ainda existem no seu processo de adesão às boas práticas. O relatório pode ser utilizado, então, no processo de tomada de decisão da liderança.  

"O relatório mostra como a startup está em relação à governança corporativa, levando em conta qual é a sua fase de evolução: ideação, validação, tração ou escala. De acordo com a fase em que a startup está, o relatório mostra o que é esperado dela em relação a práticas de governança, e como ela está em relação ao que é esperado. Assim, ela pode refletir e traçar um caminho de evolução", diz Luiz Martha. 

"A startup também pode estar no estágio de validação, por exemplo, e descobrir que tem práticas esperadas somente para o estágio de tração ou de escala. Então, ela pode avaliar se faz sentido gastar tempo e recurso com essa prática agora, ou se ela pode ser adotada somente mais para frente", acrescenta.  

Só é possível preencher o formulário uma vez a cada seis meses, o que o IBGC indica que seja feito, para que haja um acompanhamento semestral e um monitoramento contínuo do processo de evolução. 

Segundo o instituto, as informações fornecidas pelas organizações são utilizadas apenas de forma agregada para estudos, pesquisas ou publicações sobre o panorama geral das startups, e só quem tem acesso às informações individuais da startup é seu próprio representante.  

"A governança ajuda a delimitar e a definir melhor os papéis e a alinhar as expectativas, o que forma uma base muito mais sólida para as empresas. Essa ferramenta traz informação, conscientização e conhecimento sobre governança, possibilitando que as startups planejem seus próximos passos e sua jornada de crescimento", diz Eduardo Mattos.

A ferramenta pode ser acessada no site do IBGC, através deste link.

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