Futuro da Oi pode ser decidido nesta quinta-feira

Bayard Gontijo, presidente da operadora brasileira, está em Lisboa para explicar por que a venda da PT é crucial para a companhia

MARIANA SALLOWICZ /RIO, MÔNICA SCARAMUZZO , O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2015 | 03h15

A operadora brasileira Oi tem um dia decisivo nesta quinta-feira, 22. Após intensas discussões nas últimas semanas, os acionistas da PT SGPS, que detém 25,6% da tele nacional, devem votar se vendem os ativos portugueses da Portugal Telecom (PT) para a francesa Altice por 7,4 bilhões. O Estado apurou que os acionistas da Oi, dona da operadora portuguesa, estão se mobilizando para que a assembleia não seja mais adiada, como ocorreu na semana passada.

Bayard Gontijo, presidente da Oi, estará nesta quinta-feira em Lisboa para tirar as eventuais dúvidas dos acionistas a respeito da venda desses ativos, segundo fontes a par do assunto. Bayard, que era CEO interino, foi efetivado na quarta-feira, 21.

A Oi defende que a venda da operadora portuguesa é a melhor opção para todos os acionistas. Com a venda, a Oi reduzirá sua dívida, de R$ 48 bilhões, e poderá participar do movimento de consolidação no Brasil, seja com o fatiamento da TIM Brasil, com Telefônica e Claro, ou uma eventual fusão com a TIM.

Nesta quarta-feira, as ações preferenciais da companhia subiram 10,35%, a R$ 5,65, a maior alta do Ibovespa, com a expectativa positiva sobre a aprovação do negócio nesta quinta-feira. No ano, contudo, o papel acumula de queda de 34,4%, diante das incertezas do mercado sobre o futuro das duas companhias. Nesta quarta-feira, a ministra das Finanças de Portugal, Maria Luís Albuquerque, disse que a decisão sobre o futuro da companhia cabe aos acionistas, uma vez que a PT SGPS é uma empresa privada.

É que, na semana passada, a Oi perdeu R$ 1,2 bilhão em valor de mercado, após as declarações do ex-executivo da PT SGPS, Henrique Granadeiro, defendendo que a fusão entre Oi e PT teria de ser revista, fazendo coro a um forte movimento em Portugal, encabeçado por sindicato dos trabalhadores da PT, fontes do governo e empresários para impedir a venda dos ativos da PT.

Na terça-feira, a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), órgão regulador português, enviou carta ao presidente da mesa da assembleia da PT SGPS, António Menezes Cordeiro, pedindo mais informações sobre a venda dos ativos da PT à Altice, alegando que ainda há aspectos a serem esclarecidos antes da assembleia.

Cordeiro, que também tem defendido a reversão da fusão entre PT e Oi e novo adiamento da assembleia, poderá não comparecer à reunião desta quinta-feira, de acordo com a imprensa portuguesa. Fontes ligadas à Oi afirmaram que somente os acionistas da PT SGPS, pela lei portuguesa, podem optar por postergar a reunião, ou o presidente da assembleia pode sugerir outra data.

Caso Cordeiro decida postergar a reunião, ele poderá ser processado na pessoa física pelos acionistas da PT que discordarem de sua posição. "Os acionistas que se sentirem prejudicados, podem processá-lo por entender que essa decisão prejudica a empresa", disse uma fonte próxima à Oi. "A expectativa é de que a venda seja aprovada por mais de 90% dos acionistas." Se Cordeiro não comparecer na assembleia hoje (nesta quinta-feira), o vice-presidente da mesa, Eduardo Pinto, poderá coordenar a reunião.

Sindicato. O presidente do sindicato dos trabalhadores da PT, Jorge Félix, afirmou nesta quarta-feira ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que irá apresentar novo pedido de suspensão da assembleia por até 90 dias. Caso a venda da PT Portugal seja aprovada, o sindicato deve entrar com um pedido de impugnação da decisão.

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