Alexandre Machado
Alexandre Machado

Gastos públicos e corrupção estão entre as maiores preocupações de conselheiros no Brasil

Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa também aponta que remunerações dos executivos no País são menos transparentes do que no exterior

Fernanda Guimarães e Pedro Ladislau Leite, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 17h57

Tributação e gastos públicos representam o maior problema econômico no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Global Network of Directors Institutes (GNDI), divulgada nesta segunda-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Do total dos entrevistados, 70% apontaram este item como o de maior preocupação. Em seguida está corrupção, com 62%, e pobreza, com 42%.

Segundo a superintendente-geral do IBGC, Heloisa Bedicks, a corrupção não esteve presente quando observada a pesquisa no resto do mundo, que teve, contudo, a presença da preocupação em relação ao custo da assistência médica. “Corrupção é um assunto exclusivamente do Brasil e atribuímos isso aos problemas que estamos vivendo”, afirmou.

Outro fator que chamou atenção foi o menor grau de transparência nas remunerações dos executivos no Brasil, em relação ao praticado no exterior. Segundo a pesquisa, apenas 7% dos respondentes no Brasil divulgam por iniciativa própria a remuneração dos conselheiros. No mundo, essa proporção é de 21%.

No caso da remuneração dos presidentes das organizações, esse porcentual é de 6%, no Brasil, e 16% no geral. Para a diretoria, 7% publicam a remuneração, contra 15% no mundo.

Em relação à diversidade do gênero, 72% dos participantes brasileiros declararam que o tema foi pouco ou nada importante no recrutamento mais recente de candidatos em seus conselhos de administração. Na amostra global, esse porcentual foi de 49%. No levantamento feito no Brasil, apenas 1% classificou a diversidade de gênero como algo "extremamente importante" , sendo que, no levantamento global, a média foi de 16%.

A pesquisa feita pelo GNDI foi realizada entre os meses de maio e junho deste ano e foi respondida por 2159 conselheiros e profissionais de governança de 17%. O Brasil representou 8% da amostra total, com 164 participantes.

Pouca confiança

Os conselheiros de administração no Brasil estão menos confiantes em relação às expectativas de crescimento do negócio em 2019 em relação a este ano, em comparação com a média global, segundo a pesquisa divulgada no 19º Congresso IBGC, realizado nesta segunda-feira.

A pesquisa mostra que dos entrevistados brasileiros, 2% se declararam “totalmente confiante”, ao passo que a média global foi de 11%. A resposta “muito confiante” foi dada por 16% dos respondentes no Brasil, muito abaixo da média global, de 34%.

Mais conteúdo sobre:
IBGC governança corporativa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.