Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

'Governança da Petrobrás é muito boa', diz delator da Lava Jato

Ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da estatal, Pedro Barusco afirma à CPI da Petrobrás que, embora a governança na petroleira seja considerada boa por ele, os casos de corrupção foram causados pela formação de cartéis externos

Daiene Cardoso, Agência Estado

10 de março de 2015 | 13h19

BRASÍLIA - O ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco disse à CPI da Petrobrás nesta terça-feira que, embora a governança na Petrobrás seja considerada boa por ele, o que existia era a formação de cartéis externos. "O problema não está localizado nas comissões de licitações", afirmou.

Um dos delatores da Operação Lava Jato, Barusco revelou que recebia a propina toda praticamente no exterior e que apenas "alguma coisa" foi recebida em espécie no Brasil. "Nunca paguei ou transferi recurso para ninguém", declarou.


Segundo ele, o envolvimento com agente político era feito no momento da divisão da propina e que ele e o ex-diretor Renato Duque cuidavam da propina, além do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O mecanismo envolvia representante da empresa e ele, Duque e Vaccari eram "protagonistas".

Durante o depoimento, o relator da CPI da Petrobrás, Luiz Sérgio (PT-RJ) questionou o ex-gerente sobre o início desse esquema de pagamento de propina e insistiu para que desse detalhes de como ele ocorria ainda na década de 1990, durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. "Comecei a receber propina em 1997, 1998. Foi uma iniciativa pessoal, minha, junto com um representante comercial da empresa", afirmou. "De forma mais ampla, em contato com outras pessoas da Petrobrás, de forma mais institucionalizada, foi a partir de 2003, 2004. Não sei precisar a data."

Barusco afirmou que, na década de 1990, ocupava um cargo menor na estatal, não fechava contratos e não tinha conhecimento se outras pessoas recebiam propina. O relator, então, perguntou como ele negociava pagamentos ilegais naquele momento. "Em relação a esse período eu não vou dar mais detalhes porque existe uma operação em curso e eu me reservo o direito de não comentar", respondeu Barusco.

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