Ahmad Yusni|EFE
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Carrefour quer captar até R$ 10 bi com IPO no Brasil

A despeito da crise deflagrada após delação de executivos da JBS, varejista francês entregou à CVM prospecto para lançar ações em Bolsa no País

Fernanda Guimarães Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2017 | 07h52

Segundo maior varejista do mundo, o Carrefour deu início ao processo de listagem em bolsa de sua operação brasileira. O grupo informou ontem que o Atacadão, controlador de sua subsidiária no País, apresentou na terça-feira à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um prospecto preliminar para lançar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3 (empresa resultante da fusão entre BM&FBovespa e Cetip).

O documento não traz uma faixa indicativa de preço para as ações ou quanto a companhia poderia captar, mas, de acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o Carrefour quer levantar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões em sua abertura de capital. A intenção é que a varejista seja avaliada em torno de R$ 40 bilhões. A despeito da crise instaurada no País após a delação dos executivos da JBS, o Carrefour espera que sua ação seja precificada até o dia 15 de julho, afirmam fontes.

A operação, que inclui ofertas primária (papéis novos) e secundária (ações detidas por atuais sócios), terá o Itaú BBA como coordenador líder, acompanhado de Bank of America Merrill Lynch, Goldman Sachs, JPMorgan, Bradesco BBI e Santander Brasil.

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A oferta prevê a listagem no Novo Mercado, segmento de mais alta governança corporativa da B3, e figuram como acionistas vendedores o grupo Carrefour na França e a Península, empresa de investimentos do empresário Abilio Diniz.

Os recursos captados com a oferta primária serão usados para pagar empréstimos entre as empresas do grupo e para reforçar o capital de giro da companhia. Com a operação, a varejista francesa planeja ainda acelerar a expansão das atividades no País, seu segundo maior mercado depois da própria França. A rede opera no Brasil com as marcas Carrefour, Carrefour Express, Carrefour Drogaria, Carrefour Posto, Atacadão e Supeco, além de estar presente no comércio eletrônico.

Retomada. Nos últimos meses, a captação no mercado de capitais doméstico vinha dando sinais de retomada, após vários anos praticamente parada. Neste ano, estrearam na bolsa a companhia aérea Azul, a locadora de veículos Movida e o laboratório médico Hermes Pardini. A iniciativa do Carrefour vem na contramão a crença que esse mercado ficaria paralisado diante do recrudescimento da crise política, após denúncias de corrupção e pedidos de renúncia contra o presidente Michel Temer.

Segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o Carrefour teria decidido aproveitar a próxima janela para a emissão de ações de modo a utilizar seus dados financeiros referentes ao primeiro trimestre do ano, que seriam mais favoráveis.

A escolha teria sido fazer a oferta antes da divulgação dos dados do segundo trimestre do ano, segundo fontes, período no qual o crescimento do Carrefour Brasil teria começado a desacelerar e apontaria perda de participação de mercado para o principal concorrente, o Grupo Pão de Açúcar (GPA).

Analistas têm avaliado que o GPA vem recuperando fatia de mercado ante o principal rival em meio a esforços pela recuperação de seus hipermercados, formato que mais perdeu vendas nos últimos anos, período no qual o Carrefour abriu uma diferença e passou a registrar crescimento mais acelerado. No primeiro trimestre de 2017, no entanto, as vendas de ambos já cresceram no mesmo ritmo.

O Carrefour tem 576 pontos de venda no País. A maior parte é da rede de “atacarejo” Atacadão, com 160 lojas. No primeiro trimestre, o grupo apurou receita de R$ 11,878 bilhões, alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2016.

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