Índice de governança acumula alta de 17% em cinco anos

Pesquisa mostra a alta acumulada pelo IGCX entre 2010 e 2014, ante uma queda de 27,09% do principal índice da Bolsa

Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2015 | 07h00

Índices de ações relacionados à governança corporativa têm apresentado melhor desempenho que o Ibovespa. Levantamento da Guide Investimentos para o Estado mostra que, entre 2010 e 2014, o Índice de Governança Corporativa Diferenciada (IGCX) acumulou ganho de mais de 17%, enquanto o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo perdeu 27,09%.

Para fazer parte do IGCX – a principal referência na área de governança –, uma companhia precisa estar listada nos segmentos Novo Mercado, Nível 1 ou Nível 2 da BM&FBovespa há pelo menos um pregão. Já o Ibovespa é composto pelos papéis mais negociados, ou seja, ações que possuem maior liquidez.

Além de apostar em papéis específicos desses segmentos (que têm maiores exigências em relação à governança), o investidor pode aplicar nos fundos de índices, que investem em ações de determinados setores. Um exemplo é o fundo que tem como parâmetro a variação do IGCX. “Essas aplicações são mais viáveis para pessoa física e para o microinvestidor, porque têm custo menor”, diz o professor do Instituto Educacional BM&FBovespa Guilherme Macedo. O cotista de um fundo de índices, porém, não tem direito a receber dividendos das empresas, já que estes são incorporados ao patrimônio do fundo.

Ainda que 2015 seja considerado um ano difícil para investir em ações, alguns papéis podem ir contra a maré. “Os setores que têm apresentado os maiores ganhos são os de consumo e o financeiro, o queridinho do mercado nos últimos tempos”, analisa o gerente de renda variável da Guide Investimentos, Lauro Vilares. No longo prazo, a tendência é que as aplicações que acompanham o rendimento dos índices de governança tenham mais ganhos: “Em 2013, o Ibovespa recuou mais de 15%, enquanto o IGCX caiu 2%. Em 2012, o primeiro subiu 7%, enquanto o último, 19%”, diz Vilares.

Em 2014, o desempenho dos índices ficou mais próximo (alta de 2,32% para o IGCX e queda de 2,91% para o Ibovespa) por causa da grande volatilidade no mercado de ações. A queda nos preços do barril de petróleo e do minério de ferro no exterior e as dúvidas, durante as eleições, sobre qual seria a política econômica do governo nos próximos anos azedaram o humor dos investidores. O sobe e desce das cotações foi o reflexo das incertezas em relação à estabilidade econômica no curto prazo.

O resultado positivo do IGCX, no entanto, não significa que todas as empresas que dele fazem parte tenham tido bom desempenho, conforme argumenta Vilares: "Em 2014, na média geral, as ações que mais caíram foram as da Oi, que é uma empresa presente em índices de governança". Em 2013, durante o processo de fusão com a Portugal Telecom, papéis da operadora foram oferecidos como pagamento em troca títulos pobres da Rioforte, holding portuguesa liquidada em outubro passado. Investiga-se se o presidente da Oi, na época Zeinal Bava, sabia pormenores da operação.

As campeãs. Na comparação entre as companhias listadas no Ibovespa, a empresa que teve os maiores ganhos em 2014 foi a Kroton Educacional, cujos papéis tiveram retorno de 63,72% para o acionista durante o ano. Na lanterna, conforme apontou o levantamento, ficou a Oi: suas ações caíram mais de 76,02% no período. No grupo das dez mais, apenas uma das empresas não está presente nos índices de governança da Bolsa: as Lojas Americanas, que ficaram em 5º lugar no ranking. 

 

 

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