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'Líderes devem inspirar conduta correta em uma empresa'

Novo chefe do programa de integridade da Braskem, que tem a missão de reforçar as boas práticas na petroquímica envolvida na Lava Jato, disse que, no futuro, 'eventuais vulnerabilidades serão devidamente tratadas'

Entrevista com

Everson Bassinello, diretor de compliance da Braskem

Jéssica Alves, Ricardo Rossetto e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 05h00

Controlada pelas duas empresas símbolo do maior escândalo de corrupção do País - Odebrecht e Petrobrás -, e ela própria citada no esquema desmascarado pela Lava Jato, a Braskem anunciou neste mês Everson Bassinello para comandar a área de compliance da empresa. Bassinello se reporta ao comitê de conformidade da empresa, órgão independente da diretoria executiva criado em maio e vinculado diretamente ao conselho de administração.

O engenheiro mecânico com especialização em governança corporativa pela Kellogg School of Management, nos Estados Unidos, tem o desafio de reforçar as boas práticas na empresa após a operação Lava Jato ter batido às portas da petroquímica em março de 2015. 

Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef afirmou que o diretor da Odebrecht, Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, teria negociado pagamento de propina no valor US$ 5 milhões para obter vantagens de preços em contratos com a Petrobrás, que também é sua principal fornecedora. Segundo Youssef, a intenção era comprar produtos, como nafta e propeno, com valores inferiores ao praticado no mercado interno. A Braskem também foi alvo de buscas e apreensões na Lava Jato em junho do ano passado. 

Segundo Bassinello, a Braskem iniciou uma investigação no Brasil e também nos Estados Unidos assim que as denúncias de práticas ilícitas foram conhecidas pelo público e que essa será a postura em caso de problemas no futuro. O novo diretor de compliance ainda disse que os líderes "devem influenciar, inspirar e motivar os seus liderados na busca de fazer o que é certo por convicção"

Bassinello lista como prioridades em sua gestão as ações de comunicação e treinamento, a realização de gestão de riscos, a definição de políticas e procedimentos específicos, bem como processos de diligência de terceiros. 

Sobre o mercado de compliance no Brasil, Bassinello identifica carência de profissionais qualificados. "A demanda tem sido maior do que o mercado de trabalho tem conseguido atender na qualidade exigida, o que faz com que profissionais de áreas afins acabem buscando aperfeiçoamento e migrando para essa função."

Leia os principais trechos da entrevista, concedida por e-mail.

Quais são os principais desafios na área de compliance da Braskem?  

Estamos reforçando o time de compliance e aprimorando nossas práticas. Também estamos estabelecendo agentes de conformidade em toda a Braskem. O fator de sucesso na implementação do nosso sistema de conformidade é que todos sejam responsáveis pela conformidade, especialmente os líderes, que devem influenciar, inspirar e motivar os seus liderados, na busca de fazer o que é certo por convicção. Em paralelo estamos trabalhando junto com as áreas de negócio na evolução do ambiente de conformidade da empresa. 

Quais são as prioridades da sua gestão?

Entre as prioridades estão as ações de comunicação e treinamento, a realização de gestão de riscos, a definição de políticas e procedimentos específicos, bem como processos de diligência de terceiros.

Os profissionais da área de compliance estão sendo muito valorizados ultimamente, com a sua experiência, como você avalia essa valorização? Vem acompanhada de uma qualificação?

Realmente percebo uma maior procura por profissionais com esse conhecimento, seja de forma preventiva como de maneira reativa, principalmente após a entrada na nova lei anticorrupção brasileira. Na minha visão, a demanda tem sido maior do que o mercado de trabalho tem conseguido atender na qualidade exigida, o que faz com que profissionais de áreas afins (riscos, auditoria, por exemplo) acabem buscando aperfeiçoamento e migrando para essa função.

O que é o comitê de conformidade? 

O comitê de conformidade foi criado em maio pelo Conselho de Administração da Braskem visando estabelecer um órgão independente de assessoramento nas questões relacionadas a conformidade. O objetivo é reafirmar seu compromisso com a transparência e integridade na condução dos negócios. O Comitê funciona em caráter permanente e suas responsabilidades incluem: assegurar o acompanhamento e aprimoramento dos controles internos; monitorar a exposição a riscos; avaliar o cumprimento de leis, normas e políticas da companhia; e supervisionar a minha atuação como diretor de compliance.

A Braskem é controlada pelas duas empresas símbolos dos escândalos de corrupção investigados pela Lava Jato e também foi alvo de denúncias sobre combinação de preços com a Petrobrás. Como a empresa lida com essa acusação? Quais foram as medidas implantadas desde a criação do comitê de conformidade para eliminar esses riscos e melhorar a imagem da empresa?

A Braskem tem um firme compromisso em esclarecer os fatos alegados. Quando vieram a público alegações de práticas ilícitas em março de 2015, a Braskem tomou a iniciativa de instaurar uma investigação independente para elucidar o caso. Essa investigação vem sendo conduzida por escritórios de advocacia especializados no Brasil e nos Estados Unidos, que se reportam diretamente às autoridades competentes nesses dois países. A investigação segue em andamento e está sob sigilo. O que eu posso afirmar é que as eventuais vulnerabilidades identificadas serão devidamente tratadas. Todas as medidas necessárias serão adotadas no sentido de aprimorar nossa governança e controles.

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