Mauro Cunha deve ser indicado para o conselho da Usiminas

Com o conselheiro da Petrobrás, fundo de Lírio Parisotto espera atrair o interesse de investidores estrangeiros

FERNANDA GUIMARÃES , O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h02

O nome do presidente da Associação de Investidores de Mercado de Capitais (Amec), Mauro Cunha, está sendo costurado para ser a indicação do fundo L. Par, que reúne recursos de Lírio Parisotto, para uma vaga no Conselho de Administração da Usiminas. A assembleia geral extraordinária (AGE), que tratará da recomposição do conselho da siderúrgica, que está com um assento a menos desde outubro do ano passado, ocorrerá no dia 6 de abril.

Um dos objetivos para indicar Cunha é explorar o fato de seu nome ser conhecido, principalmente entre investidores estrangeiros, visto seu trabalho à frente da Amec e mais recentemente pela sua atuação como conselheiro na Petrobrás, diante de suas manifestações públicas e críticas em relação aos procedimentos adotados pela estatal. "A ideia seria usar o patrimônio pessoal dele para atrair o investidor estrangeiro", disse uma fonte com conhecimento no assunto. Em janeiro o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, informou que Parisotto era o nome mais provável para a indicação, mas que havia outros dois candidatos, sendo Cunha um deles.

"Fui consultado como uma alternativa que concilie os diversos grupos de acionistas envolvidos e nesse sentido coloquei meu nome à disposição", confirmou Cunha ao Broadcast. Em reunião do conselho da Usiminas, que ocorreu ontem para tratar desse assunto, foi decidido que a AGE será realizada no próximo dia 6. Pelas regras, a reunião deveria ocorrer no dia 2, já que a chamada pública para a AGE será publicada hoje. No entanto, por conta de ser feriado na Argentina no dia 2, foi aceita a postergação da assembleia.

O L. Par, que é gerido pela Geração Futuro, conseguiu agrupar minoritários que correspondem a 5% do capital social da siderúrgica para fazer o pleito para a chamada da AGE, o que ocorreu há uma semana. O fundo de Parisotto tem cerca de 1% das ações ordinárias e 5% das preferenciais da Usiminas. O conselho da companhia mineira está com uma cadeira a menos desde outubro do ano passado, quando o conselheiro indicado pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, renunciou, logo após a fundação vender quase a totalidade de sua participação para a Ternium, empresa do Grupo Techint que ao lado da Nippon Steel controla a Usiminas.

BTG. Na reunião de 6 de abril, a intenção é eleger um novo conselheiro da Usiminas. Parisotto, que já ocupou o posto, seria o indicado caso fosse o nome de consenso entre os minoritários. No entanto, desde setembro do ano passado um fundo do BTG Pactual vem avançando no capital da empresa, já tendo alcançado uma fatia de cerca de 3% das ações ordinárias.

No início de fevereiro, conforme apurou o Broadcast, Parisotto e representantes do fundo do BTG se reuniram. No encontro Parisotto teria proposto a formação de uma chapa única dos acionistas minoritários. No entanto, o BTG negou, dizendo que sua intenção era ter um candidato próprio para disputar a cadeira, mas ficou de estudar a questão e voltar a conversar com Parisotto, o que não ocorreu até aqui, destacam fontes a par do assunto. Fontes apontam, ainda, que o BTG vem comprando ações com direito a voto da Usiminas desde sexta-feira. De lá para cá a ação acumula alta de quase 119%.

Além do BTG, segundo fontes, Ternium e Nippon procuraram Parisotto para se informarem sobre a real intenção do empresário de ser uma opção ao conselho. Parisotto disse a ambos que, para isso, seu nome deveria ser aceito entre os controladores, já que seu objetivo era funcionar "como um canal para discussão" entre as partes. Procurados, a L.Par, Parisotto, BTG Pactual, Ternium e Usiminas não se manifestaram. A Nippon disse que "os acionistas minoritários exerceram o direito" que consta na Lei das S/As.

Hoje, a Usiminas tem nove conselheiros - Nippon e Ternium têm três indicados cada uma, um é representante dos empregados, um da Previdência Usiminas e o outro dos minoritários, indicado pela L Par, que até a chegada do BTG era o segundo maior acionista fora do bloco de controle. O assento dos empregados está garantido no estatuto da companhia.

O maior minoritário fora do bloco de controle da Usiminas é a CSN, que hoje tem direitos políticos nulos na rival por deccisão do Cade. A CSN tem 12% das ações ordinárias da Usiminas e 20% das preferenciais.

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