Marcos Arcoverde|Estadão
Marcos Arcoverde|Estadão

Minoritário da Vale quer ‘voz’ em acordo de acionistas

Os acionistas querem vaga no colegiado porque a percepção, segundo fontes, é que a discussão sobre o futuro do acordo está parada

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2016 | 10h05

RIO - A mobilização dos minoritários da Vale por uma vaga no conselho de administração da mineradora está ligada ao caso Samarco e à renovação do acordo de acionistas da companhia – que vence em abril de 2017, após 20 anos. Os acionistas querem ter voz no colegiado porque a percepção, segundo fontes, é que a discussão sobre o futuro do acordo está parada.

Como informou na semana passada o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o grupo encabeçado por L.Par, de Lírio Parisotto, e o VIC Distribuidora querem que o advogado Marcelo Gasparino ocupe a vaga dos minoritários. Sua missão seria monitorar os rumos do debate. Dificilmente o indicado terá força para derrubar os votos dos conselheiros do controlador, a Valepar. A presença, entretanto, daria mais transparência às decisões. “O representante dos minoritários não vai reverter os problemas da companhia, mas pode evitar que outros surjam”, diz uma fonte. 

Cenário. A espiral negativa dos preços do minério de ferro, a crise na Samarco e as incertezas político-econômicas criaram uma cortina de fumaça sobre o acordo da Valepar. A holding detém o controle direto da Vale, com 33,7% do capital social. A Valepar é formada pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ, por meio da Litel Participações), Bradespar, Mitsui, BNDESPar e Eletron. A Previ é a principal acionista controladora, com 49% das ações com direito a voto da Valepar.

Os minoritários da Vale entendem que, diante dos desafios atuais, o acordo deveria ser renovado nos mesmos termos, evitando mais desgaste. O acordo da Valepar é prorrogável por mais dez anos. 

Outra questão é se haverá custo para a Bradespar ficar no bloco de controle da Vale – o braço de investimento do Bradesco é o mais expressivo representante privado. Gasparino é conselheiro da Bradespar e presidente do conselho da Usiminas.

De acordo com outra fonte, os minoritários que articulam a busca por uma vaga no conselho apoiam a gestão de Murilo Ferreira e acreditam que é preciso dar apoio ao executivo.

A visão é que o custo do episódio em Mariana ainda é incerto. O temor é que a Samarco não volte a operar em 2016. Se este for o caso, a empresa pode não ter recursos para arcar com os compromissos com os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo – o que pode deixar a conta nas mãos de suas controladoras, Vale e BHP

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