Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Mudança no comando da Gafisa é vista com ressalvas por analistas

A gestora de recursos GWI Group conseguiu eleger cinco dos sete membros do conselho de administração da Gafisa

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2018 | 18h21

A tomada de controle do conselho de administração da Gafisa pela acionista GWI Group, em assembleia realizada na terça-feira, 25, foi vista com reticência por analistas do setor de construção civil.

"Nós mantemos nossa visão negativa para a Gafisa, dadas as incertezas sobre a estratégia que virá adiante considerando a eleição do novo conselho", afirmaram os analistas Enrico Trotta e Alex Ferraz, em relatório do Itaú BBA.

O banco reforçou a recomendação "underperform" (desempenho abaixo da média do mercado) para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 9,50, o que representa um potencial de baixa de 15,24% ante o fechamento de terça-feira.

Os analistas do Itaú BBA acrescentaram que a Gafisa segue com alavancagem elevada, apesar do aumento de capital feito meses atrás, e ainda atravessa um período difícil. Pelos cálculos dos analistas, o prejuízo da incorporadora neste ano deve totalizar R$ 122 milhões. Até o primeiro semestre, o prejuízo foi de R$ 85,2 milhões.

A gestora de recursos GWI Group conseguiu eleger cinco dos sete membros do conselho de administração da Gafisa na assembleia geral extraordinária (AGE) realizada terça. Até então, ela detinha apenas dois assentos. A tendência, agora, é a incorporadora passar por uma revisão na sua governança corporativa e no seu planejamento estratégico.

Os analistas Luiz Mauricio Garcia e Victor Tapia, do Bradesco BBI, também reforçaram a classificação "underperform" para as ações da Gafisa, com preço-alvo de R$ 12,00, o que representa um potencial de alta de 7% ante o fechamento de terça.

Em relatório distribuído a clientes, a dupla indicou que vê poucas chances de que o novo conselho possa mudar significativamente os resultados da Gafisa no curto prazo. "É importante ressaltar que o ciclo típico para o segmento de construção residencial é longo e dura cerca de cinco a seis anos", afirmaram, citando as fases de compra de terreno, licenciamento, vendas e obras.

"Erros passados, cometidos por vários players listados na bolsa, que expandiram suas operações pelo País, ao mesmo tempo em que acumularam estoques pesados em regiões desafiadoras, tornaram mais difícil realizar iniciativas de controle de custos e melhorar a lucratividade em um ritmo mais rápido, razão pela qual continuamos cautelosos em Gafisa", completaram.

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