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Muitas na terceira geração, empresas familiares estão mais profissionalizadas e miram expansão

Estudo da KPMG mostra que 58% das companhias com esse perfil aumentaram investimentos nos últimos seis meses

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2021 | 10h48

As empresas familiares brasileiras estão aumentando os investimentos em inovação, correndo atrás de profissionalização e colocando na mesa a possibilidade de uma futura abertura de capital, conforme pesquisa da KPMG, obtida com exclusividade pelo Estadão.  O levantamento mostra que a maioria das empresas com esse perfil no Brasil (58%) aumentou os investimentos nos últimos seis meses e que apesar da crise pandêmica,  os números apresentaram crescimento das receitas de vendas nos últimos anos. 

Dentre empresas familiares famosas, estão os gigantes Magazine Luiza, Gerdau e o Grupo Votorantim. Outra gigante e que abriu capital ano passado é a Rede D'Or, maior rede privada de saúde do País e dona dos hospitais São Luís.

“Muitas dessas empresas estão na terceira geração e se torna uma tendência natural, em qualquer lugar do mundo, que elas se preocupem mais com governança”, afirma o presidente do ACI Institute Brasil e sócio de Consultoria em Riscos e Governança Corporativa da KPMG no Brasil, Sidney Ito. Segundo o especialista, uma das explicações para a maior busca por governança corporativa é que a partir da terceira geração a empresa já possui mais interessados, já que o número de núcleos familiares dentro da companhia cresce. “Outra tendência  são os próprios IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) das empresas familiares, algo que obviamente pede estrutura de governança”, comenta.

O levantamento aponta que as empresas familiares apresentaram expansão, tanto de lucro quanto de presença geográfica. Em 2020, 53% responderam que houve crescimento na lucratividade nos últimos seis meses, ao passo que esse porcentual em 2018 foi de 38% e de 30% em 2017. O crescimento também foi anotado na abrangência geográfica dos negócios, com 42% dos respondentes afirmaram esse tipo de expansão no ano passado, resposta que foi dada por 31% em 2018.

Inovando

A pandemia também fez essas empresas se atentar à necessidade de inovação, com 38% dos respondentes afirmando que, havendo investimentos, eles seriam destinados à inovação no negócio atual, um aumento de 10% em relação a 2018. Além disso, 27% relataram que os investimentos seriam para novos negócios ou produtos, contra 20% em 2018. Os respondentes que previam investimentos apenas para manter o negócio atual despencou. De 51% em 2017, passou para 37% em 2018 e alcançou 16% na última pesquisa.

Já os indicadores sobre a profissionalização se tornam mais relevantes. Das empresas que responderam, 60% contam agora com Conselho de Administração, contra 42% na edição anterior. Desses colegiados,  47% têm membros independentes e recorreram ao auxílio de uma consultoria para realizar essa contratação, contra 35% na primeira edição da pesquisa.

De olho em mais investimentos em seus negócios, segundo Ito, sócio da KPMG, está sendo cada vez mais comum nas empresas familiares a busca de um investidor de fora, algo que na primeira e segunda geração das empresas não se via muito apetite.  “O fundador não gosta de ter alguém mandando junto,  se tinha muita resistência para se ter um sócio, mas agora na terceira geração a resistência é menor”, diz.

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