REUTERS/Pilar Olivares
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'Não sou otimista sobre a governança pública', diz Pedro Parente

Ex-presidente da Petrobrás e atualmente no comando da BRF, Parente acredita que o modelo político brasileiro resulta em aparelhamento dos órgãos estatais

Fernando Nakagawa e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 14h58

BRASÍLIA - Após deixar a presidência da Petrobrás no polêmico episódio da redução dos preços dos combustíveis para acabar com a greve dos caminhoneiros, Pedro Parente fez uma forte crítica à governança pública e ao fragmentado modelo político brasileiro que resulta em aparelhamento de órgãos que deveriam ser pautados pelas decisões técnicas. "Não sou otimista sobre o assunto", disse o executivo.

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"É impossível ter um governo orgânico. O planejamento e a gestão púbica não existem porque existem 26 partidos representados, cada um com a sua visão. E a pergunta que vem é: essa é melhor maneira de gerir?", questionou o ex-presidente da Petrobrás e que atualmente ocupa a presidência da BRF Foods, durante debate sobre governança pública no Encontro Nacional da Indústria promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Parente diz que há uma "cultura do fisiologismo" em volta da gestão pública. "As indicações políticas se estendem a níveis de gestão que deveriam ser estritamente profissionais, o que permite aparelhamento da máquina de decisões", disse Parente, ao citar que atualmente até mesmo as agências reguladoras "foram alvo desse loteamento dado a fragmentação" política. O ex-presidente não citou a Petrobrás em nenhum momento do debate.

Para o atual presidente da BRF, o conjunto de problemas diagnosticados na gestão pública "não permitem ao sistema a autocorreção da governança". Para piorar, Parente diz que esse ambiente "propicia a autopreservação (dos problemas) e o agravamento da situação".

Diante desse diagnóstico, o ex-presidente da Petrobrás disse que a governança pública é um "tema absolutamente crucial" para o Brasil. Parente citou que a boa governança deve permitir "funcionamento orgânico do governo", ter uma "diretriz clara", onde prevalece a organização coletiva "que podem expressar uma opinião franca e que, quando é tomada uma decisão, seja implementada".

Durante o discurso de abertura no evento, o presidente Michel Temer elogiou o presidente da CNI, Robson Andrade, por ter escolhido Pedro Parente para o debate. "Sob foco administrativo, quero cumprimentá-lo por ter trazido Parente, escolhido por nós (do governo) para recuperar a Petrobras. Há dois anos, a Petrobras representava um exagero, quase um palavrão, e Parente foi lá para recuperá-la e o fez ao longo desse período", disse o presidente. Temer não comentou as circunstâncias da saída de Parente que pediu demissão em meio à polêmica da greve dos caminhoneiros.

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