Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

‘No futebol, torcida começa a perceber a boa administração’

Gestão responsável passou a ser valorizada na arquibancada e grandes clubes ditam mudanças, diz secretário

Entrevista com

Rogério Haman, secretário de Futebol e Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte

Flavia Alemi, Malena Oliveira, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2016 | 05h00

Manter a casa em ordem passou a ser item de peso na avaliação das torcidas sobre seus times de futebol, ainda que os resultados em campo demorem a vir. A percepção é do secretário do Ministério do Esporte, Rogério Haman, que cita o caso do Flamengo: “O presidente foi reeleito, mesmo não trazendo resultados tão expressivos em termos de títulos”.

Em entrevista ao Estado, ele comenta a criação da Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut), órgão que fiscalizará a gestão das 111 entidades que aderiram ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) para refinanciar dívidas.

Qual é o impacto da criação do órgão para os clubes?

A Apfut vai fiscalizar as contrapartidas previstas no Profut (criado em agosto do ano passado com a sanção da MP do Futebol). A medida, que prevê práticas de governança para os clubes, demanda um órgão para esse acompanhamento.

Como será feita a fiscalização?

A atuação da Apfut será limitada a quem aderiu ao Profut. A autoridade pode receber e apurar denúncias de descumprimento da lei através de diversos meios, como mídia, sindicatos e associações representativas. Cabe a ela decidir arquivar os casos (se as denúncias não tiverem fundamento), solicitar correções aos clubes (em casos não tão graves, como atrasos em pagamentos, por exemplo) ou sugerir a exclusão dos clubes do programa.

Mesmo quem não aderiu ao Profut pode ser cobrado por uma gestão mais responsável?

Os clubes sempre buscam referências para decidir qual é a melhor forma de gestão. Como entre os 13 maiores, apenas o Palmeiras não aderiu, percebe-se que há uma tendência de adoção de mais medidas de governança. Podemos afirmar com segurança que esse grupo é referência para os demais clubes brasileiros.

E quanto a quem está fazendo a lição de casa?

Há clubes que vêm trabalhando a questão da responsabilidade fiscal há algum tempo. No caso do Flamengo, o presidente foi reeleito, mesmo não trazendo resultados tão expressivos em termos de títulos em campeonatos. Isso mostra que até a torcida tem noção dessa responsabilidade. Assim, uma gestão mais organizada começa a ser percebida também pelo torcedor.

Críticos apontam a Apfut como forma de intervenção do governo no futebol.

Não é intervenção, justamente porque ela cuida estritamente dos clubes que aderiram ao Profut em busca de refinanciar suas dívidas com o governo federal. A Apfut vai regular os recursos dentro desse programa.

A criação do órgão é uma resposta aos escândalos no futebol?

Essa questão vem sendo discutida há mais tempo, mas ganhou maior pertinência e se fez ainda mais necessária com os acontecimentos recentes.

Quem vai compor a direção da Apfut? Já há nomes definidos?

A presidência da Apfut será uma decisão da Presidência da República, se torna difícil qualquer tipo de especulação. Em relação aos demais membros, inclusive os indicados pela sociedade civil, a tendência é que atletas, árbitros e dirigentes sejam indicados por entidades de classe, validadas pelo Conselho Nacional do Esporte, e então avaliadas pelo ministro George Hilton.

A partir de quando os nomes serão definidos?

A lei dá um prazo de 30 dias, tempo razoável para que haja a dinâmica necessária para serem feitas as indicações.

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