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Nomeação de executivo de RH gera novo impasse na Usiminas

Diretores alegam falta de experiência e são contrários à escolha de um ex-conselheiro da Previ para o cargo

FERNANDA GUIMARÃES , O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2015 | 02h04

A escolha do novo vice-presidente de Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional da Usiminas, Aloisio Macário Ferreira de Souza, gerou desconforto no alto escalão da siderúrgica mineira e levantou questionamentos em relação aos procedimentos de governança corporativa da companhia. Envolvida em uma das maiores brigas societárias da história brasileira recente, a Usiminas teve registrado em ata o posicionamento contrário à nomeação do executivo pela maioria de seus principais diretores.

Em reunião realizada em novembro, os diretores vice-presidentes da companhia registraram a posição contrária à nomeação, que já havia sido efetivada semanas antes pelo diretor-presidente, Rômel Erwin de Souza, conforme documentos a que o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, teve acesso. Apenas Nobuhiko Takamatsu, executivo responsável pelo Planejamento Corporativo, foi favorável à escolha. Ele foi indicado pela Nippon Steel, conglomerado japonês que, ao lado da Ternium, controla a Usiminas.

A alegação dos diretores contrários é de que Macário não tem experiência na área de Recursos Humanos. Takamatsu, por sua vez, disse que não tinha convicção se a diretoria poderia alterar uma decisão já tomada pelo presidente.

Formado em Ciências Contábeis, Macário fez carreira no Banco do Brasil, onde foi analista na gerência de repasse de recursos ao BNDES e analista sênior no departamento de contabilidade e controladoria da área internacional. Na Usiminas, ele foi conselheiro por dois mandatos e desde outubro ocupa o cargo de vice-presidente de RH no lugar de Vanderlei Schiller, que foi demitido logo após a destituição de três executivos da Usiminas no fim de setembro, incluindo o diretor-presidente Julian Eguren - todos indicados pela Ternium.

A decisão pela destituição foi tomada em reunião do conselho de administração que provocou um racha no grupo e, segundo a Nippon Steel, foi motivada porque os executivos teriam recebido bônus de forma irregular. A Ternium refuta e diz que a Nippon desrespeitou o acordo de acionistas, que prevê a necessidade de consenso em decisões como essa. Além de Schiller, apurou o Broadcast, Robson Lodi, gerente-geral de remuneração e desenvolvimento organizacional da Usiminas, foi demitido pouco tempo depois.

"Minha contratação como VP de RH da Usiminas ocorreu a partir de minha candidatura ao cargo, no início de 2014, no momento em que percebi que a manutenção do VP de RH, o sr. Schiller, havia chegado ao limite", afirma Aloísio Macário. O executivo, que foi membro do Comitê de RH da companhia, disse que foi contratado por um headhunter e após entrevista com o presidente (Rômel Erwin de Souza), aceitou "ficar por 30 dias em avaliação mútua".

Conforme atas públicas de reuniões do conselho da Usiminas, no dia 30 de setembro, Macário assumiu o posto de assessor de Souza, executivo que substituiu Eguren na presidência da empresa de forma interina. Naquele momento Macário, que foi conselheiro indicado pela Previ na Usiminas, ocupava a vaga de suplente do conselheiro indicado pelo minoritário Lírio Parisotto, o advogado Marcelo Gasparino. No dia 1º de outubro ele pediu licenciamento do cargo de suplente, de acordo com carta anexa à ata de reunião do conselho, e passou a ser assessor executivo do presidente.

A Nippon disse que a contratação de Macário seguiu "o rito usual da companhia" e que estão sendo adotados pela Usiminas "controles mais rígidos na política de benefícios à diretoria, em razão dos problemas de compliance que resultaram na destituição de três de seus diretores". Procurados, Ternium e Parisotto não foram localizados para comentar o assunto. A Usiminas e a Previ não se posicionaram até o fim da reportagem.

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