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Pacto de Promoção da Equidade Racial
Pacto de Promoção da Equidade Racial

Organizações do terceiro setor lançam pacto de equidade racial para empresas brasileiras

Objetivo é ampliar quantidade de profissionais negros nas corporações, incentivar adoção de ações afirmativas e melhorar a qualidade da educação pública

Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 08h30

Correções: 13/07/2021 | 12h11

Depois de mais de um ano de discussões, organizações do terceiro setor e da sociedade civil lançam, nesta quinta-feira, 8, o Pacto de Promoção da Equidade Racial no Brasil. A iniciativa pretende implementar um protocolo ESG (sigla em inglês para questões ambientais, sociais e de governança) com recorte racial nas empresas do País. A elaboração do documento envolveu a participação de 140 pessoas, incluindo representantes da comunidade negra, acadêmicos, empresários e líderes de ONGs

Embora sejam a maior parte da força de trabalho no Brasil – 54,9% –, os negros são maioria entre as pessoas desocupadas e subocupadas. Eles correspondem a cerca de dois terços do grupo que não tem emprego (64,2%) e do contingente que trabalha menos horas do que gostaria ou poderia (66,1%). Os dados são do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil 2019, do IBGE

Focado nesse cenário, o pacto – que conta com entidades como PretaHub, Fundo Baobá e Oxfam Brasil –, visa ampliar a quantidade de negros nas empresas e incentivar a adoção de ações afirmativas, além de melhorar a qualidade da educação pública brasileira. “Primeiro entendemos que fazia todo sentido mexer na pauta ESG (das empresas) porque seria importante que os investidores apostassem nisso”, diz Gilberto Costa, diretor executivo da associação do pacto e do banco JP Morgan no Brasil.

A proposta já nasce com o aval da iniciativa privada. Empresários e executivos intimamente ligados às práticas ESG, como Gustavo Werneck (presidente da Gerdau) e Walter Schalka (Suzano), estão na lista de apoiadores do projeto, que inclui nomes dos mais diversos setores, como Paulo Kakinoff (Gol), David Velez (fundador do Nubank) e Luis Stuhlberger (um dos nomes mais importantes nomes do mercado financeiro, da Verde Asset). A iniciativa ainda tem a participação de Rachel Maia, símbolo entre as lideranças negras, que já foi CEO da Lacoste e da Pandora e hoje tem sua própria consultoria.

Cálculo de equidade racial

O processo de adesão é voluntário e gratuito – as empresas interessadas assinarão um termo de parceria com a Associação de Promoção da Equidade Racial. Com base no protocolo, as corporações deverão calcular o seu respectivo Índice ESG de Equidade Racial (IEER)

Esse indicador servirá para medir o desequilíbrio racial dentro das organizações quando comparado ao percentual de negros na população economicamente ativa na região em que a empresa atua. “Isso é importante para saber os locais que estão avançando, além de poder comparar empresas e gerar um incentivo”, destaca Costa. 

De acordo com o pacto, pretos e pardos que conseguem entrar no mercado formal, dificilmente alcançam um cargo de liderança ou tomada de decisão. Uma pesquisa do Instituto Ethos mostrou que os negros ocupam apenas 4,9% das cadeiras nos conselhos de administração das 500 empresas de maior faturamento do Brasil. Entre os quadros executivos, eles são 4,7%. Na gerência, correspondem a apenas 6,3%. 

Para medir esses números, o IEER é organizado em três níveis: N1, que reflete a condição de equilíbrio racial atual da empresa, atribuindo maior peso à participação de negros em cargos de liderança; N2, que considera a adoção de ações afirmativas, contemplando recrutamento, permanência e promoção de profissionais; e N3, que considera os investimentos sociais voltados à equidade racial. Para cada ação afirmativa adotada, serão somados pontos em uma classificação que vai de A++ (melhor nível) a H (pior nível).

"O pacto oferece as diretrizes, mas quem escolhe quais estratégias serão implementadas é a empresa”, explica Jair Ribeiro, um dos idealizadores da iniciativa e presidente da Associação Parceiros da Educação. As organizações também deverão escolher instituições certificadoras que avaliarão o desempenho na aplicação das metas. De acordo com Ribeiro, essa pontuação deve ser revisada anualmente com o objetivo de monitorar o cumprimento do protocolo.  

Para Carlos Eduardo Altona, sócio-fundador da consultoria de recursos humanos Exec, as pessoas têm priorizado cada vez mais empresas pautadas no propósito e na cultura, uma vez que “o tema da diversidade e inclusão está diretamente ligado aos valores” das organizações. “Vemos um movimento de mercado, com vários agentes institucionais relevantes que estão colocando pressão para que as empresas possam implementar essas estratégias”, diz o executivo.

Segundo ele, iniciativas como o pacto são eficientes e tendem a crescer. “Agora, são CEOs que estão se comprometendo a investir orçamento para recrutar essas pessoas. Mas não deve ser só atração, é também desenvolvimento e capacitação.”

Outros projetos

Outras iniciativas como o pacto já estão em vigor. Quarenta e cinco empresas de diferentes setores lançaram no início de junho uma iniciativa para combater o racismo no país, o Mover – Movimento pela Equidade Racial, do qual participam companhias como Ambev, Coca-Cola, Carrefour e Nestlé

A iniciativa promete capacitar 3 milhões de pessoas para novos empregos, além de gerar 10 mil novas posições de liderança para negros até 2030. A ideia da coalizão surgiu após o assassinato de João Alberto de Silveira Freitas em uma loja do Carrefour, em novembro de 2020 - a rede francesa está entre as signatárias.

Ano passado, um novo indicador também foi lançado para medir a diversidade racial em empresas instaladas no Brasil. Batizado de Índice de Inclusão Racial Empresarial (IIRE), ele foi criado pela Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, movimento de mais de 70 empresas e instituições contra o racismo, em parceria com a Faculdade Zumbi dos Palmares e a ONG Afrobras.  

Apoiadores e fundadores do Pacto 

Adriana Barbosa (PretaHub e Feira Preta)

Alfredo Pinto (Bain)

Ana Diniz (Inst. Península)

Ana Inoue (Itaú Social)

Ana Karla (Anepe)

André Coutinho (KPMG)

Andrea Alvares (Natura)

Angélica Souza (PWC)

Anna Helena Altenfelder (Cempec)

Alan Duarte (ONG Abraço Campeão)

Bete Scheibmayr (Uzoma)

Caio Magri (Instituto Ethos)

Carlo Pereira (Pacto Global)

Carlos Ambrosio (Ambima & Avenue)

Carlos Donzelli (Magalu)

Carlos Magalhães (BRK)

Carlos Takahashi (BlackRock)

Carlos Terepins

Carolina Costa (Mauá Investimentos)

Célia Parnes (Secretaria do Desenvolvimento Social – SP)

Celso Athayde (Favela Holding)

Celso Loducca 

Celso Prudente (Univ. Federal do Mato Grosso)

Christian Olgmeister (Suzano)

Cida Bento (CEERT)

Cláudia Costin (FGV)

Claudia Sender (Gerdau, Telefonica)

Daniel Funis (Farfetch)

Daniel Teixeira (CEERT)

Danielle Almeida (Diasporica)

David Velez (Nubank)

Edson França (UNEGRO)

Edu Lyra (Gerando Falcões)

Eduarda Penido Dalla Vechia (Fundação Flupp)

Eduardo Alves (PWC)

Eduardo Guardia (BTG Asset)

Eduardo Mufarej (RenovaBR)

Edvaldo Vieira (Amil)

Eliane Leite (Paula Sousa)

Elizabeth Mac Nicol (B3)

Erica Butow (Ensina Brasil)

Eugenio Mattar (Localiza)

Everton Rodrigues (CFA Society)

Fabio Aidar (Colégio Santa Cruz)

Fabio Alperowitch (Fama Investimentos)

Fabio Barbosa (Gávea)

Fabio Coelho (Google)

Felipe Gonzalez (Fund Lemann)

Felipe Insunza Groba (IDIS)

Fernanda Camargo (Wright Capital Wealth Mgt)

Flavia Oliveira (Mattos Filho)

Florian Bartunek (Constellation)

Frei David (Educafro)

Gilvan Bueno Costa (Financier Educação)

Giovani Rocha (UPenn)

Giovanni Harvey (Fundo Baobá)

Glaucimar Peticov (Bradesco)

Gilberto Costa (JPMorgan)

Gustavo Vitti (VP de RH Ifood)

Guibson Trindade (Parceiros da Educação)

Guilherme Leal (Natura)

Guinle Johannpeter (Gerdau)

Gustavo Werneck (Gerdau)

Helio Santos (Instituto Brasileiro de Diversidade)

Igor Lima (ex- Inst. Sonho Grande)

Ivanir dos Santos (CEAP-RJ)

Isabella Marinho (Instituto Humanize)

Izabela Murici (Falconi)

Jackeline Busnello (Bradesco)

Jair Ribeiro (Parceiros da Educação)

James Gulbradsen (NCH Capital)

Jan Karsten (Julius Baer)

Jandaraci Araujo (Sec. Desenv. Econ. SP)

Jéssica Rios (Vox Capital)

João Schmidt (Votorantim)

Joice Toyota (Vetor)

José Carlos Doherty (AMBIMA)

José Junior (Afro Reggae) 

José Papa (Trace)

José Roberto Marinho (Globo)

José Vicente (Zumbi dos Palmares)

Juliano Seabra (Banco Mundial)

Kellen Julio (Rede Globo)

Laio Santos (XP Clear)

Laura Mattar (Mattos Filho)

Leila Braga de Melo (Itaú)

Leonardo Dutra (EY)

Leonardo Letelier (Sitawi)

Lina Pimentel (Mattos Filho)

Liliane Rocha (Kairós)

Luana Génot (IDBR)

Luana Ozemela (Dima Consult)

Lucas Cavalcanti (Índice ESG de Equidade Racial)

Luciana Ribeiro (EB – Capital)

Luciana Nicola (Itaú)

Luciene Magalhães (KPMG)

Luis Sthulberger (Verde)

Luisa Brasuna (EY)

Luiz Fernando Figueiredo (Mauá)

Luiz Maia (Brookfield)

Luiz Pretti (Amcham)

Luiza Hirata (Santander Asset e AMBIMA)

Manuela Marquez (RDP)

Mandalyn Gulbrandsen (BrazilFoundation)

Marcelo Bacci (Suzano)

Marcelo Billi (AMBIMA)

Marcelo Lyrio

Marcelo Medeiros (Alpargatas)

Marcelo Serafim (PRI)

Marcelo Tragtenberg (INCT)

Marco de Castro (PWC)

Marcio Correia (JGP)

Marco Fujihara (Fundo Baobá)

Marcos Magalhães (ICE)

Maria Gal 

Marina Mansur (McKinsey)

Mário Theodoro (UNB)

Marta Pinheiro (XP Investimentos)

Masao Ukon (BCG)

Matt Klingerman (Escale)

Maurício Columbari (PWC)

Maurício Pestana (Revista Raça)

Michael França (Índice ESG de Equidade Racial)

Mirian Leitão

Neca Setubal (Fund. Tide Setubal)

Oded Grajew (Global Compact)

Osvaldo Cervi (Planejar – Associação Brasileira de Planejadores Financeiros) 

Patricia Ellen (Secretaria do Desenvolvimento Econômico)

Patrícia Lobaccaro (Mobilize Global NY)

Paula Belizia (Google)

Paula Fabiani (IDIS)

Paula Jancso Fabiani (IDIS)

Paulo Batista (Alicerce)

Paulo Kakinoff (Gol)

Paulo Veras

Pedro Rudge (Leblon Asset)

Piero Minardi (Warburg Pincus ABVCAP)

Preto Zezé (CUFA)

Priscila Cruz (Todos pela Educação)

Priscila França (Instituto Equânime) 

Prof Ivanir dos Santos (UFRJ)

Prof. Silvio Luiz de Almeida (FGV, Duke, Inst. Luiz Gama)

Rachel Maia (RM Consulting)

Rafael Machiaverni (Parceiros da Educação)

Rafael Tavares (Índice ESG de Equidade Racial)

Raquel Teixeira (SEDUC- SP)

Regina Esteves (Comunitas)

Renato Ejnisman (Bradesco)

Renato Feder (Secretaria Estadual da Educação do Paraná)

Renato Meirelles (Inst. Locomotiva)

Renato Souza (Deloitte)

Renato Souza (PWC)

Ricardo Henriques (Inst. Unibanco)

Ricardo Madeira (USP)

Roberto Chade (Dotz – Inst. Superação)

Rodrigo Dib (Proa)

Rogério Mascarenhas (McKinsey)

Rogerio Monaco (Todos pela Educação)

Rossieli Soares (Secretaria Estadual da Educação de São Paulo)

Salatiel Barbosa (Banco Regional de Brasília)

Selma Moreira (Fundo Baobá)

Silvio Dulinski (WEF)

Sonia Quintella (Artesol/Artiz)

Tatiana Figueiras (Instituto Ayrton Senna)

Tereza Vernaglia (BRK)

Thalita Cunha (Blend)

Theo van der Loo (NatuScience)

Thiago Amparo (FGV)

Thiago Spercel (Machado Meyer)

Thiago Thobias (Advogado)

Tom Mendes (ID BR)

Vanessa Dockhorn (Psicologia Dockhorn)

Vivianne Naigeborin (Arymax)

Viviane Senna (Instituto Ayrton Senna)

Walter Schalka (Suzano)

Wania Sant’Anna (IBASE)

Willian Reis (Afro Reggae)

Wilson Risolia (Fundação Roberto Marinho)

Correções
13/07/2021 | 12h11

O nome correto do atual CEO da Votorantim é João Schmidt e não João Miranda, como citado anteriormente na matéria.

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