Pic Basement/ Creative Commons
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Para avançar, governança corporativa precisará sair do papel em 2018, dizem especialistas

Após período de progressos regulatórios, desafio das empresas será colocar tantas regras em prática

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2017 | 05h00

Após um ano com avanços significativos nas normas de governança corporativa no Brasil, ainda há dúvidas sobre o que esperar de 2018. Especialistas ouvidos pelo Estado apontam que, com tantas regras, é hora de colocar em prática o que está no papel.

“Diversas mudanças foram feitas na teoria, mas ainda não sabemos como elas se darão no dia a dia das empresas. Não podemos apenas celebrar a existência de melhores parâmetros se eles não estão sendo praticados”, afirma o Alexandre Di Miceli, professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e sócio-fundador da Direzione Consultoria.

Ele utiliza o exemplo do formulário de referência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criado em 2010. Na época, o documento foi visto como uma mudança dramática para os padrões de boas práticas, mas revelou-se aquém do esperado. “Só a existência da regra não garante que as coisas estejam sendo feitas da maneira correta”, diz.

A presidente do Instituto Compliance Brasil, Sylvia Urquiza, destaca que 2018 é ano eleitoral. Os recentes escândalos envolvendo poderes público e privado no Brasil alertam para o fato de que, mais do que nunca, será preciso encarar essa relação com ética e transparência naquele que promete ser o pleito mais polêmico desde a redemocratização.

++ Após reforma trabalhista, home office exigirá adaptação das empresas

“Estamos debatendo muito a corrupção e as relações entre políticos e empresas ficarão em evidência. Também por isso, a situação exigirá decisões rápidas e coerentes da Justiça, para garantir que ilegalidades sejam mesmo combatidas”, comenta.

Na avaliação do presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Emilio Carazzai, o ano que vem será decisivo para separar empresas que realmente levam a governança corporativa a sério daquelas que apenas cumprem o "check list" obrigatório sem tornar as regras uma realidade prática.

“É evidente que há um avanço na conscientização sobre esse tema. A empresa que não souber formular e aplicar seu sistema de governança vai ficar para trás, exposta ao mercado e à sociedade. Ninguém deseja isso.”, diz. Segundo ele, há um prazo natural cada vez mais apertado para que as adequações sejam feitas. “Não há como contornar essa demanda.”

++ Empresas falam em diversidade, mas conselhos de administração seguem homogêneos

Pontos críticos. Di Miceli aponta o conselho de administração das empresas como um ponto crítico que merecerá atenção nos próximos meses. “Quando falamos em avaliação de desempenho desses conselhos, é algo que não avança. Assim como a presença de conselheiros independentes, por exemplo, que ainda é escassa. Ou de mulheres. Não dá para pensarmos em futuro sem tocarmos nesses temas específicos, mas poucas empresas estão dispostas a fazê-lo”, avalia.

Sem esses elementos, ele acredita que será difícil que o Brasil tenha um horizonte em que teoria e prática caminhem lado a lado.

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