Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Para representante do Brasil no FMI, País precisa enfatizar boa governança

Em debate sobre investimentos na América Latina, Otaviano Canuto defendeu que melhorias implicam em mais concorrência e eficiência para o setor privado, e melhor relação entre custos e resultados para o setor público

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2015 | 14h30

RIO - A paralisia dos investimentos privados diante da expectativa em torno dos desdobramentos das investigações de episódios de corrupção em curso no País é um fator crucial para explicar a perspectiva de recuo de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2015, conforme previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), avalia o representante do Brasil no fundo, Otaviano Canuto.

Em debate do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal) sobre investimentos e alianças público-privadas na região, Canuto destacou a importância de melhorar a governança nesses países, a despeito dos efeitos dolorosos desses processos no curto prazo, a exemplo do que ocorre hoje na economia brasileira. 

Em sua análise, no longo prazo isso significará ter mais concorrência e eficiência do lado do setor privado no futuro. Já do lado do setor público, trará melhor relação entre custos e resultados. Para Canuto, a qualidade da governança é mais importante que a ênfase em regras que busquem estabilidade na relação entre os setores público e privado. "Precisamos de regras do jogo que enfatizem os aspectos da boa governança", disse.

Canuto destacou que os países da América Latina enfrentam de modo geral limites fiscais para sustentar um modelo de investimento baseado apenas no financiamento público. "Mais do que nunca é necessário encontrar formas de participação do setor privado no financiamento e implementação de investimentos quase públicos, como em infraestrutura. A regra geral é de impacto negativo sobre a produtividade quando não há investimentos adequados em infraestrutura", avaliou. 

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