Fábio Motta
Fábio Motta

Petrobrás acende debate sobre estatais

Executivos de companhias brasileiras e leitores debatem práticas de gestão no setor público em ferramenta do Portal Estadão

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2014 | 02h01

Os recentes escândalos de corrupção na Petrobrás poderiam ter sido detectados e até evitados se a estatal tivesse um programa robusto para monitorar riscos e desvios de conduta, afirmam executivos e especialistas em governança corporativa.

Em meio à crise de credibilidade, a empresa anunciou a criação de uma área de governança e compliance, para mitigar os riscos ligados à corrupção. Para o ex-presidente da Apimec, Francisco Petros, a estatal deveria criar um departamento exclusivo de compliance, para focar no cumprimento à legislação. O leitor Norton Rauter, entretanto, é cético quanto ao sucesso do departamento. Na visão dele, será só "mais um custo para a estatal".

Enquanto arranham a imagem da Petrobrás, os escândalos também trazem à tona o debate sobre a gestão das estatais.

Para o presidente do Conselho de Administração do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Guy Almeida Andrade, a corrupção decorre de oportunidades e ambientes muito burocratizados ampliam as chances.

Nesse contexto, as empresas estatais são um grupo de alto risco, especialmente quando passam a "desprofissionalizar" seus quadros de alto escalão.

Para o leitor Marcelo Calcagno, como a petroleira tem ações na Bolsa de Nova York, é difícil de entender como os escândalos ocorreram sem que fossem detectados pelos controles exigidos pela legislação dos EUA.

Sócio-fundador da consultoria Crowe Horwath Brasil. Marcelo Lico alerta que a falta de controles pode até comprometer a operação de uma empresa.

Na visão do leitor Oseas Siqueira, o caso Petrobrás mostrou que executivos de grandes empresas, a partir dos negócios com a estatal, se transformaram em "larápios".

Líder da área de governança da Deloitte, Camila Araújo acredita, porém, que as leis anticorrupção ao redor do mundo começam a criar uma nova forma de relação entre empresas e setor público.

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