Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão

Reforma na governança da Petrobrás busca recuperar credibilidade da estatal, diz Bendine

Presidente da estatal, Aldemir Bendine defende novo modelo de gestão da Petrobrás e afirma que, durante os 8 meses sob seu comando, a companhia fez ajustes de ativos, patrimônio e resultados para dar mais credibilidade às informações divulgadas

Bernardo Caram, Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2015 | 16h53

BRASÍLIA - O presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, fez nesta quarta-feira uma apresentação sobre a gestão e governança, desempenho operacional e os investimentos da companhia durante os oito meses sob o seu comando.  

"A empresa passava por momento de extrema turbulência, e em fevereiro ainda não tinha balanços de terceiro e quarto trimestres (de 2014) aprovados, o que trazia uma situação de insolvência da empresa perante o mercado creditício", afirmou, em depoimento à CPI da Petrobrás na Câmara dos Deputados na condição de testemunha. "Foi um trabalho árduo e conseguimos aprovar os balanços auditados em abril", relatou.

Bendine citou que foram feitos ajustes de ativos, patrimônio e resultados da empresa para dar mais credibilidade às informações da Petrobrás. "Conseguimos, através de uma série de captações e negociações com mercados interno e externo, quase US$ 11 bilhões, que puderam fazer frente a caixa da companhia que não atendiam as necessidade de uma empresa desse porte. Isso resgatou um pouco a credibilidade que Petrobrás tinha que ter", completou.

A nomeação de um novo Conselho de Administração também foi relatada por Bendine aos parlamentares, o que, segundo ele, possibilitou a aprovação dos balanços seguintes. "Estamos buscando um modelo de gestão operacional efetivo e reforma de governança para mitigar situações vividas no passado, e para termos conforto em decisões tomadas", acrescentou. O presidente da Petrobrás pontuou que a empresa tem colaborado ativamente com as autoridades envolvidas nas investigações e disse que a empresa busca recuperer valores no âmbito da Operação Lava Jato.

Ele voltou a considerar que o mercado de petróleo impõe desafios à companhia, com o barril do produto cotado abaixo do US$ 50 no mercado internacional, bem como a valorização do dólar em relação ao real, o que encarece a gestão da dívida da empresa. "Estamos procurando ajustar nosso plano de negócios e reposicionar a empresa diante destes dois recentes episódios: o da corrupção descoberta, mas principalmente o da mudança do ciclo das commodities", argumentou.

Apesar dos desafios, Bendine disse acreditar que a Petrobrás voltará "a ser motivo de orgulho para todo cidadão brasileiro", sendo uma empresa mais enxuta e com resultados robustos. "Diante de um cenário onde a gente busque cada vez mais uma disciplina de capital e de gestão forte, aliados a um programa de desinvestimento, podemos trazer a dívida da Petrobrás para um patamar mais confortável", afirmou. "Acreditamos fortemente na capacidade de recuperação da empresa", completou.

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