André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Políticos deveriam aprender em eventos de governança, diz ex-CVM

Ex-presidente da instituição afirmou que a participação de políticos em seminários de governança corporativa pode evitar problemas para empresas no mercado de capitais

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 18h59

RIO - O sócio-fundador da JB Investimentos e ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Luiz Osório, disse nesta terça-feira, 12, que seria importante convidar políticos brasileiros para participar de seminários de governança corporativa e assim evitar problemas para empresas no mercado de capitais.

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Ele citou como exemplo as declarações do presidente do Senado, Eunício Oliveira, criticando a política de preços da Petrobrás. As declarações trouxeram instabilidade para as ações da estatal.

"A minha sugestão é convidar o comitê dos assuntos econômicos da Câmara e do Senado para esses seminários, para ajudar a influenciá-los. Precisamos ajudar o Congresso a entender isso (governança)", disse durante sua participação no "Seminário de Políticas de Investimentos", promovido pelos fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Valia (Vale).

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Ele chamou a atenção para o fato de que o Brasil corresponde a 1% do mercado de capitais mundial, "o que não é irrelevante", observou.

Assim como outros participantes, Osório vê necessidade de aprimoramento da governança no País, e deu dicas de como escolher investimentos para seus clientes: "Na governança olhamos o estatuto, olhamos o Conselho. Se (um conselheiro) tem uns 12 conselhos ao mesmo tempo, tira ponto (do investimento)", explicou.

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Ele também vê necessidade de modernização de algumas metodologias como o Formulário de Referência, que para ele não precisa ter 500 páginas para ser acreditado. "Os relatórios de referência não são bons, na minha opinião, tem 500 paginas, talvez não seja melhor do que se tivessem 400, eu já alertei a CVM", disse Osório durante a palestra.

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