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Presença de mulheres em conselhos melhora governança nas empresas, dizem especialistas

Em congresso do IBGC, diversidade é defendida como maneira de aprimorar a tomada de decisões

Nathália Larghi, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2016 | 22h53

Aumentar a diversidade de pessoas que compõem um conselho administrativo de uma empresa é uma das formas mais eficazes de melhorar as decisões tomadas pelos gestores. Especialistas explicam que a ideia de reunir membros com diferentes idades e experiências profissionais permite avaliações distintas de um mesmo tema e possibilita o surgimento de novos questionamentos e soluções.

Essa pluralidade ainda não é uma realidade no Brasil. Um dos exemplos disso é a baixa presença feminina nos conselhos administrativos: apenas 6,3% dos membros, segundo levantamento da Corporate Women Directors Internaticonal. Nas empresas de capital aberto, a porcentagem é de 7,9%, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Para aumentar essa participação, tramita no Congresso o projeto de Lei 112/2010, que prevê um porcentual de 40% de mulheres entre os conselheiros das empresas públicas e sociedades de economia mista.

Durante debate do 17º Congresso IBGC de Governança Corporativa, o presidente da Thbymus Branding, Ricardo Guimarães, explicou que as constantes mudanças sociais e econômicas exigem que os conselhos funcionem como uma comunidade, composta tanto por homens quanto por mulheres. Na visão do especialista, melhores decisões são tomadas quando diferentes pessoas analisam uma mesma questão.

Porém, a questão vai além da representatividade de gênero. Segundo Fábio Barbosa, sócio-conselheiro da Gávea Investimentos, a ideia é que os conselhos reúnam pessoas com conhecimentos complementares. "Precisa ter mulher só por porque precisa? Não. É porque aquela profissional vai agregar valor, porque tem uma experiência diferente, que traz uma nova visão para o time", afirmou. 

A dificuldade em promover debates eficientes e questionadores entre pessoas com pensamentos semelhantes também fragiliza o posicionamento dos membros do conselho. Segundo Guimarães, da Thbymus Branding, os profissionais passam a adotar comportamentos mais lógicos e menos arriscados. "Há um anestesiamento do discernimento. Faz com que as pessoas não tenham opinião, apenas sejam objetivas", explicou.

Muitas vezesm a forma como os gestores lidam com cada um dos membros do conselho não varia e isso pode desestimular os profissionais, na visão do conselheiro independente Simon Wong. Para exemplificar, Wong lembrou que nem sempre um aumento de salário é um incentivo positivo para todas as pessoas. "A ideia de que um salário maior vai se traduzir num esforço maior e em um resultado melhor é muito clínica, é como se tratássemos humanos como algo mecânico", diz.

Antecipador. Uma das responsabilidades do conselho administrativo é a de antecipar possíveis riscos ao funcionamento da empresa. Fábio Barbosa explica que o trabalho do grupo não se limita a ajudar os gestores no cumprimento da lei e aconselhar sobre questões do presente. Em sua avaliação, é preciso que os conselheiros prevejam eventuais mudanças na legislação para evitar problemas.

O sócio da Gávea Investimentos lembrou o exemplo da Coca-Cola, Ambev e PepsiCo, que recentemente anunciaram que deixarão de vender refrigerantes diretamente às cantinas de escolas para crianças de até 12 anos. "Não é proibido, mas vai ser. Eles se anteciparam. O conselho tem que estar atento justamente a isso", afirmou.

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