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Presidente da Eletrobrás diz que proposta salarial visava remuneração de diretores

Wilson Ferreira Júnior afirmou que diretores, que têm remuneração referenciada ao salário do presidente, poderiam deixar a empresa

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 18h32

Criticado nos últimos dias pela notícia de que teria pedido um aumento de cerca de 46% em seu próprio salário, o presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, rechaçou que o motivo fosse aumentar seus próprios rendimentos. Segundo ele, o pedido de elevação da remuneração teve em vista a manutenção de diretores da empresa, que têm salário referenciado ao do presidente da companhia. "Estão colocando coisas como se eu fosse um mercenário, coisas que eu não fiz. Meu salário é o mesmo do primeiro dia até o final deste ano. Em dois anos e pouco de trabalho, não pedi isso. Agora, eu ia perder metade (dos diretores). Esses diretores que estamos falando são referenciados ao meu salário".

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Conforme informou o Broadcast na última sexta-feira (4), em documento endereçado no dia 14 de março à Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), Ferreira Jr. propôs elevar seu atual salário mensal de R$ 52,3 mil para R$ 76,6 mil, aumento de 46,4%. O dos presidentes de subsidiárias como Eletronorte, Furnas e Chesf subiriam para R$ 64,2 mil, ante R$ 39,6 mil no caso da Eletronorte e de R$ 44,1 mil nas outras duas companhias. Os presidentes das distribuidoras que estão para ser privatizadas também teriam salários ajustados, de R$ 24 mil a R$ 25 mil, para R$ 47,4 mil. Os salários dos diretores são em média 5% menores do que a remuneração dos presidentes, informa o documento enviado à Sest.

No documento, o executivo afirmava que os salários dos executivos da empresa "são significativamente inferiores a grande parte das companhias que operam no mercado de capitais no Brasil", e cita um estudo da KPMG feito com 220 companhias que comprova a afirmação. "Nossas empresas possuem uma remuneração dos dirigentes significativamente inferior à média dos honorários de empresas como Petrobras, BR Distribuidora, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal", informa no documento, ressaltando que os novos valores propostos para as presidências e diretorias foram simulados tendo como base os aumentos concedidos à diretoria do BNDES, também realizados "para manter a atratividade do cargo".

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A SEST, porém, não aprovou o aumento. "Apesar do pleito das empresas Eletrobras, o Ministério se manifestou à PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) e à Eletrobras pela manutenção dos mesmos valores aprovados no período 2017-2018, não concedendo, portanto, nenhum reajuste. A mesma orientação foi seguida nas assembleias de cada uma das empresas controladas", informou a Eletrobras ao ser questionada sobre o pedido.

Ferreira Junior salientou, porém, que a SEST recomendou que diretores optassem pelo salário estatutário e não o funcional. "Foi por isso que eu fiz o pedido, não foi para me atender", disse. Ele também afirmou que seu salário é o mesmo desde o primeiro dia em que assumiu o cargo na presidência da Eletrobras e até o final do ano e destacou que não aceitou o convite para comandar a estatal por conta dos rendimentos.

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Ele também criticou a informação que circulou pela imprensa sobre sua participação em conselhos de administração. A acusação era de que o executivo participava de muitos colegiados, acumulando rendimentos adicionais. "Sou conselheiro de cinco empresas e recebo em uma R$ 3 mil e em outra R$ 4 mil. Se quisesse ganhar dinheiro como conselheiro eu teria sido conselheiro de Itaipu, que dá muito menos trabalho e ganhava muito mais", disse. "Eu fui lá para trabalhar", disse.

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Conforme o estatuto da Eletrobras, o limite máximo de participação do Conselheiro em Conselhos de Administração não poderá ser superior a cinco, considerando-se o da Eletrobras, observada a limitação remuneratória. Ainda segundo o texto, é vedada a participação remunerada de membros da administração pública federal, direta ou indireta, em mais de dois órgãos colegiados de empresa estatal, incluídos os conselhos de administração e fiscal e os Comitês de Auditoria.

Anteriormente, o executivo já afirmou que uma das condições para assumir a presidência da Eletrobras era a de participar dos conselhos de administração das subsidiárias Chesf, Furnas, Eletrosul e Eletronorte.

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