Reflexo das urnas nos papéis do Santander deve influenciar demanda por OPA

Reflexo das urnas nos papéis do Santander deve influenciar demanda por OPA

Acionistas podem ser motivados a aceitar a oferta de recompra de ações do Santander, no leilão do dia 30, caso preços sejam pressionados para baixo; banco ofereceu prêmio de 20% para adquirir os cerca de 25% de papéis em negociação no Brasil

Aline Bronzati, Agência Estado

27 de outubro de 2014 | 17h05


O resultado das eleições presidenciais no Brasil deve influenciar os acionistas minoritários a decidirem se aderem ou não à oferta de recompra de ações do Santander. O leilão acontece nesta quinta-feira (dia 30), mas o prazo de adesão termina um dia antes. A expectativa de fontes do mercado ouvidas pelo Broadcast – serviço de notícias em tempo real da Agência Estado – é de que as units (depósitos de ações) do banco passem por oscilações nesta semana, a reboque de seus pares que estiveram entre os papéis mais impactados pelas expectativas com os resultados das urnas, batizados de "kit eleições".


O Santander ofereceu prêmio de 20% para adquirir os cerca de 25% de papéis em negociação no Brasil sobre o preço de fechamento de 28 de abril, de € 7,046 no Santander Espanha e de R$ 12,74 no Santander Brasil. Caso sejam pressionados para baixo a exemplo do comportamento das ações dos bancos quando a presidente Dilma Rousseff disparava nas pesquisas, os acionistas podem ser motivados a aderir à oferta. Entretanto, se as units do banco subirem ou o potencial de elevação superar o prêmio oferecido pelo Santander, a oferta pode não alcançar a demanda esperada pela instituição espanhola.


Laudo de avaliação da oferta, feito pela consultoria financeira Rothschild identificou valor econômico de R$ 10,63 a R$ 11,69 para a unit do Santander no Brasil, abaixo do preço proposto pela matriz espanhola, de R$ 15,31 por papel, em 29 de abril, data do anúncio da oferta. Após o anúncio da oferta, em abril último, fundos internacionais, porém, levantaram nos bastidores a possibilidade de não aderirem à oferta do Santander por acreditarem em uma possível valorização dos papéis superior ao prêmio oferecido pelo banco.


Para Francisco Kops e Giovanna Rosa, do Safra, a oferta do banco torna-se valiosa com a reeleição do atual governo. Isso porque o resultado das urnas deve impulsionar as ações dos bancos para baixo conforme o movimento visto até agora por conta das pesquisas. "Isso significa que o prêmio oferecido pelo Santander Espanha, provavelmente, estará acima do desempenho dos papéis caso sigam a mesma tendência de seus pares em termos de múltiplos", afirmaram em relatório ao mercado.


Como razões para aceitar a oferta, eles citam além da reeleição do atual governo, riscos descendentes para o real brasileiro frente ao euro, o que pode melhorar a relação da substituição proposta e o risco de os acionistas ficarem com ações com uma liquidez bem inferior daqui para frente. Na outra ponta, como motivo para os acionistas não aderirem à oferta do Santander, os analistas do Safra mencionam uma possível pressão de venda nos Brazilian Depositary Receipts (BDRs), empurrando os preços dos papéis para baixo.


Kops e Giovanna mantiveram, em relatório ao mercado, na semana passada, recomendação neutra para as units do Santander e o valor dos papéis foi elevado, de R$ 15,30 para R$ 15,75. Na sexta-feira, os papéis encerraram cotados em R$ 15,47. Em outubro, as units do Santander acumulam perdas de 1,45% e queda de 3,53% em um mês. No ano porém, já subiram 29,94%. "As ações (do Santander) podem ser uma boa opção para navegar na atual volatilidade causada pelas eleições presidenciais. Além disso, o terceiro trimestre deste ano deve trazer números mais construtivos ao nosso ver", destacam os analistas do Safra.


O Santander estima que se todos os minoritários aceitarem a troca (ela não é obrigatória), a operação envolva R$ 14 bilhões. Mas não haverá desembolso de dinheiro, pois os minoritários que aceitarem a oferta vão receber em troca ações do Santander Espanha.


A adesão à oferta de recompra do Santander é voluntária e não depende de um nível mínimo de aceitação. Caso as condições da oferta sejam cumpridas, conforme edital publicado neste mês, o resultado será divulgado às 9 horas no dia do leilão. Se ocorrer, porém, alguma renúncia, a oferta pode ser prorrogada por mais dez dias. Mas se a demanda dos acionistas para a oferta do Santander ultrapassar dois terços, os demais que não aderirem têm três meses, ou seja, até 30 de janeiro, para fazê-la nas mesmas condições.


Embora permaneça como uma empresa listada, o Santander sairá do Nível 2 de Governança Corporativa, passando a estar listado em seu segmento tradicional. Procurado, o Santander não se manifestou. 

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