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Revisão de programas em cenário de crise impulsiona seguro para executivos no Brasil

Desde o início da Lava Jato, em 2014, o seguro D&O já soma meio bilhão de reais em sinistros

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 20h39

A revisão de programas de seguro para proteger executivos (D&O, na sigla em inglês) diante do cenário de crise política e econômica no Brasil e escândalos de corrupção têm motivado o crescimento da modalidade. Em paralelo, algumas empresas, principalmente de médio porte e capital fechado, que até então não contratavam esse tipo de apólice, passaram a demandar o produto.

Há hoje no Brasil, conforme o gerente de linhas financeiras da AIG, Flávio Sá, entre cinco e sete mil apólices de D&O, enquanto que o número de empresas no País, considerando grupos de todos os tamanhos, alcança nove milhões. Do total, um terço, segundo ele, são elegíveis para esse tipo de seguro.

"O principal motivador para o seguro D&O no Brasil é o cenário. Com a crise, a apólice ganhou relevância e todo mundo passou a revisar seus programas, aumentar limites ou estruturas, seja para reter executivos ou adequá-los ao nível de governança das empresas", explicou Sá, durante o XII Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, promovido pela Associação Brasileia de Gerência de Riscos (ABGR).

Desde o início da Lava Jato, em 2014, o seguro D&O já soma meio bilhão de reais em sinistros, conforme números da Superintendência de Seguros Privados (Susep), compilados pela corretora BR Insurance. Neste contexto, o movimento está ocorrendo e deve continuar a impulsionar o seguro D&O no Brasil.

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O Grupo Votorantim foi uma das empresas que decidiu revisitar seus seguros e optou por adotar um programa de apólices mundial, abrangendo todas as suas operações. De acordo com a consultora de riscos e seguros do Votorantim, Vanessa Neumam, a companhia fez diferentes desenhos de apólices para contemplar seus vários braços de atuação, distribuídos em diversos países, e ainda no âmbito de melhorar sua governança, reforçando políticas e controles.

"Os executivos estão muito mais preocupados com escândalos. Nunca recebi tanta demanda para seguro D&O, que virou pauta dos executivos", afirmou Vanessa, durante evento da ABGR.

A revisão de programas, a exemplo do Votorantim, é um dos principais motores para o crescimento dos prêmios de seguros D&O no Brasil. No primeiro semestre, a modalidade movimentou quase R$ 200 milhões, cifra cerca de 11% superior à vista no mesmo intervalo do ano passado, conforme dados da Susep.

Potencial. Para este ano, a expectativa da BR Insurance é de que o seguro D&O cresça até 15%. Já para os próximos cinco anos, esse mercado tem potencial de avançar, na visão da corretora, em torno dos 70%.

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A revisão de seguros D&O no Brasil também tem ocorrido por conta de pedidos de recuperação judicial, que ultrapassaram o patamar de 4 mil casos em meio à crise no Brasil. Segundo Maurício Bandeira, da corretora de seguros Aon, esse ajuste é necessário para adequar o seguro, que tem particularidades no caso de a empresa segurada seguir esse caminho. Tanto é que, de acordo com Sá, da AIG, esse movimento já tem ocorrido de forma preventiva, com algumas empresas solicitando a revisão de suas apólices de D&O antes mesmo de entrarem em recuperação judicial.

"As empresas que entram em recuperação judicial podem negociar com as seguradoras a manutenção da vigência da apólice que, geralmente é de 3 anos. As condições são adaptáveis. O mercado (de seguros) se adaptou", explicou Bandeira.

Segundo ele, também representam um mercado potencial para o seguro D&O no Brasil as instituições financeiras. Quando mensurado conforme o tamanho das empresas, as pequenas e médias organizações, segundo Sá, da AIG, são um dos motores para o crescimento da modalidade. Embora menos representativos em volume de prêmios, esses grupos, segundo ele, têm cada vez mais demandado o produto, o que fez com que as seguradoras desenhassem apólices customizadas para este público.

"Em uma pequena empresa, o prejuízo se é para o grupo ou para o bolso do dono não faz diferença. Por isso, criamos um seguro de D&O para proteger a empresa", explicou ele, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

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