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Salário de presidente de empresas cresceu 32% em anos de crise no Brasil

Segundo estudo, remuneração fixa de comandantes de empresas saltou de R$ 83 mil em 2015 para R$ 110 mil em 2017

Gabriel Roca, O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 18h14

Um estudo elaborado pela Page Executive, empresa especializada em consultoria empresarial, mostrou que o vencimento fixo de presidentes e diretores executivos (CEOs) cresceu acima da inflação, mesmo com resultados ruins apresentados pelas companhias nos últimos anos. Em 2017, nas empresas nacionais que faturam de acima de R$ 1 bilhão, a remuneração mensal fixa dos executivos (sem bônus), em média, foi de R$ 110 mil.

Em 2015, o valor era de aproximadamente R$ 83 mil. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no período foi de 20%, enquanto a remuneração fixa dos executivos cresceu 32%.

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Se acrescidos bônus de curto e longo prazo, o salário dos presidentes de empresas nacionais de grande porte foi de cerca R$ 3 milhões por ano em 2017. De acordo com Fernando Andraus, diretor-executivo da Page Executive, a remuneração caiu menos que o desempenho das empresas. “Na crise, empresas tiveram que pagar mais para atrair executivos mais qualificados para seus quadros”, afirma.

Com os resultados ruins que as companhias apresentaram durante a crise econômica, Andraus afirma que foi constatado um aumento de 17% nas mudanças em cargos executivos nas empresas em relação a 2016, em processos que a Page Executive assessorou. Ele acredita que, em um momento de pressão por melhorar os resultados, os salários de presidentes e executivos acabaram sendo preservados.

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“Quem fez alteração nos quadros de liderança de suas companhias acabou pagando mais, ainda que o resultado não tenha acompanhado”, conclui.

Empresas Nacionais x Multinacionais. Uma outra curiosidade que a pesquisa revela é que presidentes de empresas nacionais têm, em média, vencimentos maiores que presidentes regionais de empresas multinacionais.

Enquanto diretores-executivos de empresas brasileiras que têm faturamento superior a R$ 1 bilhão anuais receberam remuneração (incluindo salário fixo, bônus de curto, longo prazo e benefícios) de R$ 3 milhões anuais, presidentes regionais de multinacionais receberam, em média R$ 2,5 milhões.

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Fenrnado Andraus acredita que a diferença se deve ao maior risco que dirigir uma grande empresa nacional implica para a pessoa física. “Por mais que a conduta da direção seja correta, há um grande risco para a pessoa física em questões jurídicas ou tributárias.”, diz. Além disso, um presidente de uma sede regional se reporta à matriz, e, portanto, possui menos atribuições de responsabilidade, já que muitas decisões são tomadas pela sede global.

A Pesquisa de Remuneração de Presidentes e Diretores Executivos da Page Executive entrevistou 1.150 executivos de empresas de diferentes portes, setores, nacionalidades e regiões.

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