Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Sem transparência, investidores rejeitam propostas de remuneração

Levantamento realizado pelo ex-diretor da Previ Renato Chaves mostra rejeição a empresas que não prestam informações completas sobre política de remuneração

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2018 | 19h07

RIO DE JANEIRO - As propostas de remuneração dos executivos foram fortemente rejeitadas nos votos à distância nas Assembleias Gerais Ordinárias (AGO), segundo levantamento realizado pelo ex-diretor da Previ e autor do Blog da Governança, Renato Chaves.

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Mais do que os valores propriamente ditos, o movimento reflete a contrariedade de investidores minoritários, principalmente os estrangeiros, que utilizam os serviços das consultorias de votos, com a posição das companhias de se sustentarem na liminar do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) que proíbe a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de punir as empresas por não darem transparência total à política de remuneração de executivos (item 13.11 do Formulário de Referência).

A rejeição foi de 80% dos votos à distância na Vale, 74% na Cielo, 74% na CCR, 73% na Duratex, 66% na Iguatemi e 58% na TIM. Na Embraer e na SulAmerica, foi menor - 47% e 39%, respectivamente -, mas ainda altas, na avaliação de Chaves. Para ele, as companhias deveriam entender o "puxão de orelha" dos investidores, mas seguem contando com a demora da Justiça em julgar o mérito da liminar conseguida pelo Ibef.

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De acordo com Renata Schmitt, chefe para América Latina da consultoria de votos ISS, uma das maiores do mundo, havia expectativa de uma mudança na política da Vale, por exemplo. "O presidente vinha de uma empresa que não usava o Ibef. Também havia a janela de oportunidade aberta com a eleição de conselheiros representantes de acionistas minoritários e a mudança da empresa no caminho de se tornar uma 'corporation' sem controle definido", explica.

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Segundo Renata, as empresas brasileiras têm aumentado a interlocução com os investidores estrangeiros. Até aquelas que tradicionalmente nunca haviam entrado em contato direto, agora procuram os escritórios de consultoria e respondem aos pedidos de esclarecimento de maneira mais tempestiva, o que não acontecia antes.

A abertura da política de remuneração, porém, ainda é um tabu. Recentemente, a BR Malls elegeu conselheiros independentes e abriu mão da prerrogativa criada pela liminar do Ibef. Na Vale, porém, a eleição de duas conselheiras independentes não foi suficiente para determinar a mudanças, embora elas tenham registrado voto contrário à atual política.

"A eleição de representantes minoritários tem sido fundamental para a melhoria da governança. Se as práticas ainda não mudaram, pelo menos há o debate, como foi registrado na ata da reunião do conselho da Vale", avalia.

De acordo com Renato Chaves, além da ISS, outras consultorias, como a Glass Lewis, divulgaram relatórios sugerindo a reprovação de propostas em empresas que não prestam as informações.

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