Reprodução/Internet
Reprodução/Internet

Setor de TI ganha peso na governança de companhias

Levantamento indica que executivos apostam em ambientes digitais, como computação em nuvem, para ampliar receitas

Ian Chicharo Gastim, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 07h00

O cheque já foi um dos principais meios de pagamento. Hoje, no entanto, as transações são feitas principalmente por sistemas eletrônicos. Essa transformação da economia para ambientes digitais, que abrange tecnologias como computação em nuvem, plataformas móveis e mídias sociais, mudou a forma como empresas fazem negócios, evidenciando a função estratégica das áreas de Tecnologia da Informação (TI) para a estrutura de governança de organizações. 

Uma pesquisa da Dell reforça esse cenário. Segundo o levantamento, feito com executivos de diversas áreas, 78% dos entrevistados acreditam que a “digitalização” de negócios, por meio de sistemas de análise de dados, e-commerce, gestão de conteúdo, entre outros, pode impulsionar as receitas.

Diretor de Produtos e Soluções Empresariais da Dell para a América Latina, João Bortone diz que as novas tecnologias são cruciais para a governança de empresas. “Hoje a tecnologia não serve apenas como um apoio à realização de negócios, ela é o princípio que rege estratégias que empresas possam definir para o seu funcionamento e sucesso”, afirma.

Apesar de a pesquisa indicar que a digitalização está ainda mais restrita à TI - 54% dos entrevistados a citaram como a área mais avançada nesse processo -, Bortone afirma que a tendência é de que, cada vez mais, empresas implementem soluções digitais nos negócios. “Há ‘bolsas’ de resistência, mas a maioria das empresas acredita que pode ter mais resultados com a digitalização”, afirma.

“Hoje, já temos mais celulares do que brasileiros. Existe um potencial de alcançar clientes com custos menores”, diz o especialista.

Segundo o professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, João Porto de Albuquerque, as empresas mudaram a visão sobre a área de TI. “Antes, a TI era apenas uma prestadora de serviços para outras áreas, considerada como um centro de custos”, afirma. “Hoje, a TI tem um papel mais estratégico na estrutura de governança, precisando estar alinhada com estratégias da empresa.”

Essa mudança, segundo ele, também provocou uma alteração de perfil do profissional da área. “Antes ele era só preocupado com questões técnicas, mas atualmente precisa ter uma visão de negócios, para contribuir com as estratégias da empresa”, afirma.

Sócio da área de Tecnologia da consultoria Deloitte, Claudio Soutto também enxerga na TI uma área de grande importância para empresas no contexto da economia digital. “A área de TI deve ser a grande ‘orquestradora’ da empresa, dando suporte para outras áreas”, afirma. “A maioria das novas iniciativas vão sair da área de negócios, mas quem vai pensar na estrutura, dar segurança e padronização de linguagem e softwares, é a TI”, completa.

Investimento. Em meio à desaceleração da economia, o investimento em tecnologia é uma vantagem competitiva, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Estado.

Diretor de Serviços da Dell Brasil, Ricardo Velasco diz que, por meio de ambientes digitais, companhias podem “criar ofertas inovadoras, aumentar receitas, reduzir custos e despesas operacionais e, assim, ganhar agilidade”.

O estudo da Dell, porém, mostra que 70% dos entrevistados admitem que suas empresas ainda não estão totalmente preparadas para aproveitar o ambiente digital. Diante disso, João Bortone, da Dell, defende que, com a cultura digital cada vez mais presente na vida das pessoas, “a empresa que não conseguir se alinhar, pode deixar de existir".

Para Claudio Soutto, da Deloitte, as empresas devem aproveitar as plataformas móveis, consideradas o “grande diferencial” do atual mundo digital: "O mobile é uma nova forma de envolver e interagir com clientes, funcionários, parceiros de negócios”.

Segurança. Não existe um sistema 100% seguro no meio digital, o que traz à tona a necessidade de uma boa gestão de riscos tecnológicos em empresas, avalia João Porto de Albuquerque, da USP: “Existem tecnologias de vários graus de sofisticação que permitem oferecer um bom nível de segurança. É uma questão de gestão de riscos”.

O especialista diz que a TI tem um papel crucial para mostrar para a empresa as ameaças que envolvem uma estratégia de negócios na economia digital e, assim, justificar o investimento em diferentes opções de segurança: “A análise de risco deve ser feita com a visão dupla, sobre riscos digitais e o valor estratégicos dos ativos a serem protegidos”. 

Tudo o que sabemos sobre:
governançaTecnologia da informação

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.