Standard & Poor’s rebaixa nota da Petrobrás

Para a agência de classificação de risco, estatal precisará de um ‘apoio extraordinário’ do governo brasileiro em caso de piora do cenário

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 22h14

A deterioração da situação financeira da Petrobrás, com a demora na apresentação de seus resultados trimestrais, além do abalo na sua credibilidade internacional com as denúncias de corrupção levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) a rebaixar a nota individual da companhia. Para a agência, a estatal terá acesso “restrito” ao crédito e precisará de um “apoio extraordinário” do governo em caso de piora do cenário.

Este é o segundo rebaixamento da Petrobrás por uma agência internacional em menos de duas semanas - no início do mês, a Moody’s também havia divulgado uma nova avaliação, questionando sua capacidade econômica individual.

Nesta terça-feira, o governo publicou no Diário Oficial da União a liberação de créditos suplementares para a estatal no valor de R$ 2,23 bilhões. A publicação não detalha qual a finalidade dos recursos, mas confirma a avaliação das agências de que a Petrobrás precisará do suporte do governo para resgatar a credibilidade de suas condições financeiras.

Com a decisão da S&P, a classificação de risco de crédito (rating) da companhia caiu de BBB- para BB na escala que analisa a confiança no investimento das empresas.

A nota individual considera que, sem um suporte do governo - o acionista controlador da petroleira - o acesso da estatal ao crédito demandaria uma análise mais criteriosa e condições menos favoráveis de investidores estrangeiros.

As notas globais de dívida e crédito da companhia não foram alteradas, com nota BBB-, o que ainda mantém a Petrobrás no grupo de empresas que reúnem condições favoráveis de investimento.

“Essa revisão não afeta nossos ratings finais sobre a companhia porque eles continuam a se beneficiar do que vemos como uma probabilidade ‘muito alta’ de apoio extraordinário do governo”, informou a agência de classificação.

Argumentos. Na justificativa da decisão, a S&P avaliou que o novo rating reflete a visão de que o apoio do governo à estatal seria “oportuno” em um momento de “estresse financeiro”.

A agência também argumentou que a perspectiva para o cenário econômico da companhia é de “menor liquidez e uma geração de fluxo de caixa potencialmente mais fraca à luz das investigações sobre corrupção que estão em andamento”.

Em seminário na segunda-feira, no Rio, a presidente da agência para América Latina, Regina Nunes, disse que é comum atrelar as notas de risco de empresas estatais ao rating do País, sobretudo no setor de óleo e gás.

Ela explicou, também, que por essa relação com o acionista controlador, um rebaixamento da nota isolada não pesa tanto sobre a nota global.

Já o diretor de risco da agência, Sebastian Briozzo, havia alertado que a situação financeira da estatal estava no radar da S&P. Segundo ele, o foco da agência era quanto ao impacto da atual situação da Petrobrás no “nível de investimento planejado pela empresa”.

Apesar da desconfiança, ele disse após participar de palestra não esperar “um socorro tão grande a ponto de afetar o rating do Brasil”.

Na avaliação do executivo, há outras formas de o governo brasileiro apoiar a estatal, seja por meio do mercado de capitais ou com aumentos no preço dos combustíveis. 

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