Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Sustentabilidade é preocupação mínima para acionistas e investidores

Tema é o que desperta menor interesse em quem financia empresas no Brasil, aponta estudo da Deloitte em parceria com o Ibri

Ian Chicharo Gastim, Malena Oliveira, O Estado de S. Paulo

14 de julho de 2015 | 15h58

Discutir assuntos relacionados à sustentabilidade desperta interesse mínimo entre acionistas e investidores de empresas. Em uma pesquisa realizada pela consultoria Deloitte, em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), a sustentabilidade ficou em último lugar entre os itens pelos quais as companhias no Brasil são questionadas por financiadores.

A consulta foi realizada no mês de junho com 54 profissionais da área de Relações com Investidores (RI) de organizações no Brasil, com capital de origem nacional e estrangeira - a maioria com faturamento anual acima de R$ 100 milhões. Entre os assuntos relacionados à governança corporativa, apenas 4% das respostas apontou a sustentabilidade como tema de interesse de acionistas e investidores.

De acordo com Bruce Mescher, sócio da área de auditoria da Deloitte e coordenador técnico do estudo, o baixo interesse pela sustentabilidade é um “reflexo da atual situação econômica do País”. “Existem outros desafios e prioridades na mente dos investidores”, afirma.

Depois de sustentabilidade, os temas menos discutidos são avaliação de conselheiros e altos executivos (6%), gestão de riscos (9%) e adequação a leis e normas regulatórias, como a Lei Anticorrupção (9%). "Mesmo em um momento de intensa discussão na sociedade, por conta da forte repercussão de denúncias e investigações, o tema de Lei Anticorrupção e compliance foi lembrado por apenas 9% dos respondentes", destaca o relatório.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Existem outros desafios e prioridades na mente dos investidores, Bruce Mescher, sócio da Deloitte e coordenador da pesquisa
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Mesmo assim, Mescher avalia que o debate tem evoluído no País. “Em tempos de crise, os assuntos de governança tendem a atrair os holofotes. Eu acho que existe uma evolução da gestão de risco, dos controles internos, do próprio compliance", aponta. 

"Nos últimos anos, existe um grande movimento, até em estatais, para ampliar os níveis de governança corporativa. Não é uma questão só do Brasil, há outros mercados que também são assim, talvez os investimentos não estejam no ritmo ideal, mas estão avançando”, afirma.

Na outra ponta, os temas de maior interesse são a estrutura financeira das companhias (41% das respostas), fusões e aquisições (39%), plano estratégico (39%), dividendos (35%) e plano de investimento (32%). “Constatar isso na pesquisa não foi uma surpresa. O investidor sempre vai dar uma importância maior para esses assuntos. Mas a situação atual do País tem influenciado esse resultado. Em um momento mais calmo, essas pautas poderiam estar mais equilibradas com outras, como a sustentabilidade”, afirma Mescher.

A importância dada para assuntos financeiros reflete uma percepção que, muitas vezes, vem do próprio conselho de administração da empresa, conforme aponta o sócio da Deloitte. “Os assuntos prioritários são exatamente os relacionados à estratégia de negócios. Talvez tenha algo sobre riscos pontuais, de segurança cibernética, mas questões de assuntos estratégicos sempre são prioridade”, afirma Mescher.

A pesquisa foi apresentada na 17ª edição do Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, evento promovido pelo Ibri e pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.