Três letras que vieram para ficar
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Três letras que vieram para ficar

Entendimento sobre sustentabilidade tornou-se mais amplo e extrapola o simples cuidado com a questão ambiental

Especial ESG, Media Lab Estadão
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30 de outubro de 2020 | 05h00

A sigla ESG vem ganhando protagonismo no mercado de ações, em sintonia com a crescente importância da sustentabilidade para as decisões dos grandes investidores. Trata-se do índice que avalia os impactos das operações de uma corporação nos três eixos que compõem a sigla em inglês: environmental, social and governance (meio ambiente, social e governança).

A própria definição de ESG deixa claro que o entendimento de sustentabilidade se tornou muito mais amplo do que apenas os cuidados com o meio ambiente. Essa visão foi gradualmente incorporando também as iniciativas de responsabilidade social e os aspectos relacionados à governança. “É uma visão mais holística de sustentabilidade, como pede a complexidade do mundo atual”, diz o professor Alexandre Garcia, reitor de pós-graduação da Fundação Álvares Penteado (Fecap), que estudou o tema na tese de doutorado.

Na medida em que grandes fundos ao redor do planeta passaram a dar importância às práticas de ESG, aumenta o volume de ativos que seguem esses critérios, em algum nível. Na Europa, onde a valorização da sustentabilidade está em nível mais avançado do que ao redor do mundo, estima-se que um terço dos investimentos seja realizado levando em conta esses indicadores.

“A atenção aos princípios ESG é uma característica crescente em todo o mundo. Será um tema cada vez mais relevante para o acesso a exportações e ao mercado de capital”, observa o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da consultoria Tendências.

Selo inédito

Para os investidores interessados em valorizar empresas com políticas sólidas de ESG, muitas vezes é difícil saber quais são as que realmente tratam a questão com seriedade e aquelas que praticam o chamado greenwashing, termo que define a falsa adesão ou a adesão superficial aos preceitos de sustentabilidade.

Diante dessa dificuldade, começam a surgir iniciativas para separar o joio do trigo. A plataforma Órama, pioneira em oferecer investimento digital no País, criada em 2011, acaba de lançar um selo para reconhecer os fundos de investimento que se destacam por seguir princípios ESG.

Os critérios são rigorosos. No primeiro momento, apenas quatro fundos receberão o selo, entre os mais de 600 presentes na plataforma. A seleção dos fundos é feita com base na avaliação dos critérios adotados pelos próprios gestores, muitos deles aderentes a compromissos como o Principles for Responsible Investment (PRI) e o Global Sustainable Investment Alliance (GSIA), em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU).

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A rentabilidade acaba sendo uma consequência das boas práticas adotadas, que vão atrair colaboradores engajados, consumidores conscientes e evitar impactos socioambientais negativos
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avalia Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama.

A chegada do selo ocorre simultaneamente ao lançamento da carteira de fundos ESG recomendada pela Órama. “Devido às características dos produtos que receberão o selo, a carteira é adequada ao investidor qualificado e com horizonte de longo prazo”, destaca Sandra.

Plataforma de análise no ar

 Carmignac, uma das principais gestoras de ativos da Europa, com mais de 60 milhões de euros sob sua gestão, lançou recentemente a plataforma Start, para proporcionar o acompanhamento e a análise do que chama de “Trajetória Responsável”. Trata-se de um sistema de pesquisa que facilita o entendimento dos critérios de ESG nos processos de investimento.“Somos independentes e não estamos limitados por resultados a curto prazo. Isso nos permite avaliar o estado atual das empresas em relação aos critérios ESG e quais são as trajetórias futuras. Estamos confiantes de que a nossa abordagem global, frente aos critérios ESG, nos ajudará a cumprir o nosso mandato principal: criar valor para os nossos clientes a longo prazo”, afirma Maxime Carmignac, diretora executiva e supervisora da equipe de Investimento Responsável do grupo europeu.

Vale aposta em novo conceito e cria portal

Depois dos acontecimentos trágicos envolvendo as operações da empresa, a Vale reforçou o trabalho de diagnóstico e disseminação dos princípios de ESG. Criou até um portal exclusivo para o tema, com o propósito de estabelecer um canal de diálogo permanente com os acionistas e a sociedade.

“Segurança tornou-se uma obsessão e a Vale acredita que a integração de políticas de ESG em sua rotina será essencial para a redução do risco da empresa”, diz Luiz Eduardo Osorio, diretor executivo de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Vale.

O engajamento delineou um programa ESG que evoluiu por meio da chamada “escuta ativa”. A empresa analisou e estudou a metodologia por trás dos principais provedores de informações sobre ESG – ISS, Glass Lewis, MSCI, Sustainalytics, Responsible Mining Index e Dow Jones Sustainability Index. Essa análise identificou 52 lacunas em relação às melhores práticas e suscitou a criação de um plano de ação para fechá-las até 2030.

Entre os gaps que foram identificados, está o projeto de dobrar, até 2030, a presença feminina na força de trabalho, de 13% para 26%.

A empresa se comprometeu também a realizar investimentos de pelo menos US$ 2 bilhões em energia renovável nos próximos dez anos.

Série de iniciativas

“A alta liderança está totalmente engajada, dado que o plano de ação ESG se tornou parte da remuneração de longo prazo dos executivos”, diz Osorio, referindo-se à decisão do Conselho de Administração de estabelecer que 20% das metas de remuneração de longo prazo serão baseadas em métricas ESG para a liderança da Vale.

A empresa vem avançando, também, no aprimoramento da governança e das políticas de gestão de riscos e gestão de rejeitos.

Desde 2018, uma equipe integrada – liderada pela área de Relações com Investidores, juntamente com a diretoria de Sustentabilidade e executivos seniores – intensificou as práticas de engajamento e vem realizando reuniões diretamente com stakeholders ESG e especialistas em governança de grandes investidores institucionais.

Entre as medidas mais recentes ligadas a ESG, está a criação, no início deste ano, do Comitê de Auditoria, reportando ao Conselho de Administração. A diversidade do Conselho de Administração foi ampliada com a inclusão de seis novos membros, com experiências diversificadas. O compromisso de transparência inclui o posicionamento público, no portal ESG, sobre as controvérsias envolvendo a empresa.

Com a aprovação de uma nova Política de Risco pelo Conselho, foram criados cinco comitês executivos de riscos vinculados à Diretoria Executiva, um deles dedicado exclusivamente aos riscos geotécnicos. A Diretoria de Segurança e Excelência Operacional foi criada para fortalecer as “linhas de defesa” da empresa e apoiar as melhorias necessárias para elevar os níveis de segurança na indústria de mineração.

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