Votorantim Cimentos
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Votorantim Cimentos anuncia metas de sustentabilidade e quer reduzir emissões em 12% até 2030

Empresa tem outro compromisso, firmado com fabricantes globais, de chegar a 2050 com emissões líquidas zero; fabricação de cimento e concreto é um dos processos industriais mais poluentes para a atmosfera

Vinícius Neder, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 10h00

RIO - A Votorantim Cimentos assumiu o compromisso de reduzir em 12%, até 2030, suas emissões de gases do efeito estufa no processo de mineração e fabricação de cimento e concreto. A meta, intermediária diante do compromisso, já firmado com outras fabricantes globais de cimento, de chegar a 2050 com emissões líquidas zero, será anunciada nos Compromissos de Sustentabilidade para 2030, que serão divulgados ao mercado nesta quinta-feira, 12.

A fabricação de cimento e concreto é um dos processos industriais mais poluentes para a atmosfera. Pesa 3% nas emissões globais de gases do efeito estufa, segundo dados compilados pela entidade ambientalista americana Instituto de Recursos do Mundo (WRI, na sigla em inglês). Esses gases, na atmosfera, formam uma barreira que dificulta a dispersão do calor do planeta no espaço, aumentando artificialmente as temperaturas.  

Ao mesmo tempo, a demanda pelo cimento tende a ser crescente, diante da necessidade de ampliar a infraestrutura física e da perspectiva de aumento da urbanização em vários países do mundo. Por isso, o setor está no radar das discussões globais sobre a contenção de emissões de gases do efeito estufa para mitigar as mudanças climáticas.

As metas até 2030 que serão divulgadas pela Votorantim Cimentos são globais - a empresa tem fábricas em 11 países - e se espalham em 17 indicadores chaves em diferentes áreas, como ética e integridade, segurança e bem-estar, inovação e impacto ambiental.

Segundo o diretor Global de Sustentabilidade e Relações Institucionais da Votorantim Cimentos, Álvaro Lorenz, o lançamento das metas busca associar os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), que têm ganhado cada vez mais atenção dos investidores financeiros mundo afora, com a estratégia de sustentabilidade da companhia, que “vem de há algum tempo”.

Na área do impacto ambiental, o foco principal da indústria do cimento é na busca de combustíveis e outros insumos alternativos e renováveis, incluindo energia elétrica. Os fornos que usam coque de petróleo para transformar calcário e argila em cimento, a 1.500 graus Celsius, são os principais responsáveis pelas emissões elevadas, disse o coordenador de Sustentabilidade da Votorantim Cimentos, Fábio Cirilo, em entrevista em agosto. 

A Votorantim já vinha investindo em resíduos sólidos (principalmente, pneus e lixo urbano não reciclável)  e biomassa (que varia conforme o local, como caroço de açaí e cavaco de madeira, no Brasil, ou caroço de azeitona, na Espanha) como alternativas ao coque. De 1990 a 2019, a companhia informa já ter reduzido suas emissões de gases do efeito estufa em 23%.

Segundo Lorenz, não é possível estimar quanto a empresa terá de investir no total para cumprir as metas propostas até 2030. O projeto de investimentos em coprocessamento com combustíveis alternativos está definido em R$ 370 milhões para os próximos cinco anos, mas os valores são revistos anualmente, disse o executivo. Além disso, poderá ser preciso investir em tecnologias que ainda nem foram desenvolvidas. 

Na área de geração de energia renovável, parte dos investimentos é feita pelo grupo Votorantim, por meio da Votorantim Energia, que, em 2017, formou uma joint venture com o fundo de pensão Canada Pension Plan Investment Board (CPP Investments) para investir e operar parques de geração de energia eólica no Piauí e em Pernambuco.

Atualmente, a joint venture investe R$ 2 bilhões em dois novos complexos eólicos, previstos para 2023. Eles adicionarão 411,6 megawatts (MW) em capacidade instalada e terão 60% da geração destinados para a Votorantim Cimentos e para a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Para Lorenz, o acelerado crescimento da atenção sobre as mudanças necessárias para o mundo migrar para uma economia de baixo carbono, verificado no aumento da pressão financeira sobre o assunto a partir deste ano, já se espalhou pelo empresariado brasileiro. O executivo acredita ser possível que as empresas façam seus investimentos em adaptação independentemente dos rumos da política ambiental do governo federal e da percepção negativa que ela causa no mundo. 

“As políticas públicas ajudam, facilitam e lubrificam, mas sabemos que temos nossa parte como empresa brasileira e como brasileiros”, disse Lorenz. 

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