Alta nas ações da Petrobrás tende a continuar nos próximos dias

Segundo analista, elevação não deve se sustentar tanto quanto a que vem sendo registrada nas demais petroleiras estrangeiras

Kelly Lima, da Agência Estado,

23 de fevereiro de 2011 | 17h40

A alta nas ações da Petrobrás verificada no pregão de hoje da Bovespa tende a continuar nos próximos dias, mas não deve se sustentar tanto quanto a elevação que vem sendo registrada nas demais petroleiras estrangeiras. Pelo menos é a aposta dos analistas financeiros que cobrem a estatal.

"Acredito que a alta do petróleo seja temporária e pouco sustentada em fundamentos de oferta e demanda. Nesse cenário, acredito que a performance das ações (da Petrobrás) não se sustentara, tendo em vista que estão mais caras que de suas pares internacionais do setor", afirmou Emerson Leite, do Credit Suisse.

Hoje, apesar de o Ibovespa estar negativo, na casa dos 0,3%, as ações ordinárias da Petrobrás bateram acima dos 5% e as preferenciais já tiveram alta superior a 3%.

Na opinião do analista do Banco do Brasil, Nelson Rodrigues de Mattos, as ações da companhia devem acompanhar a alta do petróleo até recuperarem em parte sua desvalorização no ano passado. "As ações da Petrobrás estavam um pouco defasadas, um pouco para trás do índice depois de sua capitalização. É um momento para ajuste, impulsionado com a alta do barril de petróleo", comentou. Mattos acredita ainda que a alta do preço vai continuar enquanto se mantiver a instabilidade nas áreas de conflito e enquanto não afetar a demanda mundial.

Segundo Matos, a alta do barril tem impacto não somente sobre as ações da Petrobrás, mas também na geração de caixa da companhia, seja por conta das exportações de petróleo e derivados, seja pela redução na necessidade de financiamentos. O plano de investimentos da Petrobrás prevê o valor a ser captado no mercado, com base na expectativa de geração de caixa baseada num barril de petróleo a US$ 80. De acordo com o analista do BB, a média do valor do barril neste primeiro trimestre ficou em US$ 88,96, o que deve ter impacto positivo no balanço da empresa no primeiro trimestre deste ano.

Para outro analista de instituição financeira de São Paulo que não pôde se identificar por conta das normas da casa em que atua, a manutenção da política de preços da companhia, de não repassar a alta para o diesel e para a gasolina, poderá prejudicá-la na manutenção da alta de suas ações. Segundo ele, a companhia não vai lucrar tanto com esta alta quanto as demais petroleiras internacionais.

De acordo com dados do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a gasolina estava 4% mais barata no mercado doméstico do que no mercado internacional, no último dia 14 de fevereiro, antes da alta do barril de petróleo. Não há cálculo ainda sobre qual é a defasagem no momento.

Segundo Rafael Schectman, do CBIE, os principais impactos da alta do barril de petróleo no Brasil, serão no Querosene de Aviação e na nafta, reajustados respectivamente a cada 15 e a cada 30 dias. Além disso, o valor do Brent é considerado como referência para o pagamento de royalties do setor de petróleo. O impacto deste aumento no pagamento, no entanto, não deve acontecer logo agora em março, já que há uma defasagem de dois meses até o pagamento do período de referência. "Em maio teremos este aumento do pagamento constatado nas constas dos municípios. Além dele, haverá um aumento na produção neste período, puxando a arrecadação para cima", comentou.

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