Crescimento de 0,4% da indústria em SP mostra recuperação, diz Fiesp

Para diretor da instituição, Paulo Francini, apesar do aquecimento do setor, uso da capacidade instalada não é motivo de preocupação

Anne Warth, da Agência Estado,

25 de fevereiro de 2010 | 14h22

O crescimento de 0,4% no nível de atividade da indústria paulista demonstra que o setor permanece em uma trajetória de recuperação. A avaliação é do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação da Indústria de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini. "O resultado é bom e não nos traz nenhuma surpresa. No fechamento do ano, a indústria estará crescendo a dois dígitos, algo entre 13% e 14%", afirmou.

 

Francini destacou que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) está em um patamar "bastante folgado". Em janeiro, o Nuci ficou em 81,7%, com ajuste sazonal, e em 79,6%, sem ajuste. "Pode-se dizer que a indústria está aquecida quando o Nuci oscila entre 84% e 86%. Ou seja, não há nenhum motivo para preocupação", considerou.

 

Todos os indicadores conjunturais da indústria registraram queda em janeiro na comparação com dezembro: horas pagas (-2,6%), horas trabalhadas (-0,9%), salários nominais (-4,2%), salários reais (-5,5%), vendas nominais (-19,4%) e vendas reais (-21,2%). Francini explicou que o desempenho foi considerado normal para o mês de janeiro.

 

Entre os setores que chamaram a atenção por seu desempenho em janeiro está o de Alimentos e Bebidas com queda de 0,4% no nível de atividade de janeiro ante dezembro, com ajuste. As vendas reais do segmento registraram queda de 20,1% e as horas trabalhadas na produção tiveram redução de 5,7%.

 

De acordo com Francini, o resultado está relacionado às fortes chuvas que atingiram o Estado em janeiro. "As chuvas paralisam o corte e o transporte de cana de açúcar e a produção de açúcar e álcool. As usinas registraram queda de 30% no faturamento em janeiro", disse.

 

Já os destaques positivos foram os setores de Metalurgia Básica, com crescimento de 2,2% no nível de atividade de janeiro na comparação com dezembro, com ajuste sazonal, e o de Máquinas e Equipamentos, com alta de 2%. Ambos bem acima do 0,4% que a indústria como um todo registrou. Os dois setores foram também um dos mais afetados pelos efeitos da crise no País. "O Nuci de metalurgia básica ficou em 83,9% em janeiro, ainda baixo para um setor que opera acima de 90%", disse Francini.

 

O desempenho da indústria de bens de capital, por sua vez, foi beneficiado pelas linhas de financiamento do BNDES para o setor. No quarto trimestre de 2009, os desembolsos pela linha Finame atingiram R$ 7,1 bilhões, um crescimento de 28,2% em relação à media de 2008 - bem acima dos R$ 4,8 bilhões desembolsados no terceiro trimestre do ano passado. "Podemos dizer que a indústria foi às compras para modernizar e aumentar seu parque produtivo", disse Francini. O Nuci do setor ficou em 73,4% no mês de janeiro.

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