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Crescimento do faturamento da indústria eletrônica supera patamar anterior à crise

Segundo a Abinee, faturamento no 1º semestre foi 18% maior que em 2009 e 3% maior que em 2008

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

23 de agosto de 2010 | 19h28

O faturamento da indústria eletroeletrônica superou no primeiro semestre deste ano os patamares de crescimento anteriores à crise financeira de 2008, mas os investimentos em ativos fixos ainda devem ser inferiores, em 2010, segundo a Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee). A entidade apurou no primeiro semestre deste ano uma alta de 3% no faturamento do setor, quando comparado ao desempenho dos seis primeiros meses de 2008, período pré-crise. Já em relação ao primeiro semestre de 2009, o faturamento aumentou 18%, liderado pelo avanço do segmento de utilidades domésticas, com destaque para linha branca e eletroeletrônicos.

Apesar da recuperação das vendas, os investimentos deste ano ainda não devem superar os aportes registrados em 2008, que totalizaram R$ 4,9 bilhões, que corresponderam a 4% do faturamento do setor. "Em 2008, a economia estava muito aquecida e, no ano seguinte, os investimentos foram reformulados", afirmou Humberto Barbato, presidente da Abinee.

Para 2010, a estimativa inicial da entidade - apresentada em dezembro do ano passado - era de que os aportes totalizassem até R$ 5,3 bilhões, o equivalente a 4% do faturamento do setor. Porém, a revisão da projeção anunciada hoje dá conta de investimentos de aproximadamente R$ 4,5 bilhões para este ano, significando uma relação entre 3,5% e 3,6% da receita do setor. Em 2009, os investimentos somaram R$ 3,1 bilhões.

Segundo Barbato, uma das razões para a revisão para baixo encontra-se nas contratações de equipamentos para o complexo elétrico do Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio). "Apesar do grande volume de equipamentos elétricos envolvidos nos empreendimentos, boa parte deles já foi ou deverá ser adquirida de fornecedores estrangeiros, que têm larga vantagem competitiva sobre a indústria estabelecida no Brasil", disse.

Na última semana, o dirigente informou que entregou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, uma carta solicitando a retirada da isenção do imposto de importação de produtos do setor elétrico que não tenham similar nacional. Segundo Barbato, está havendo uma concorrência desigual com turbinas e subestações destinadas aos investimentos do complexo do Rio Madeira de fabricantes estrangeiros. No documento entregue ao governo, o setor pleiteia também a elevação da alíquota de importação de mais de 100 equipamentos elétricos de uso industrial e para geração, transmissão e distribuição elétrica.

As importações do setor no primeiro semestre avançaram 50% sobre o mesmo intervalo de 2009, totalizando US$ 15,76 bilhões. As compras do exterior foram puxadas pelo Sudeste asiático, com alta de 67%. Apenas da China, o crescimento foi de 77%.

O aumento das compras externas deverá gerar ainda este ano uma proporção recorde de importados sobre a participação em bens finais destinados ao mercado interno. A projeção da Abinee é de que este porcentual atinja, em 2010, 20,7%, ante 20,4% (de 2009) e 20,5% (de 2008). Em 2005, a representatividade não superava os 16%. "Isso preocupa pela desindustrialização do setor. Estamos importando cada vez mais produtos acabados, enquanto a participação dos componentes vem sendo reduzida", disse.

No primeiro semestre, o déficit do setor eletroeletrônico atingiu US$ 12,12 bilhões, ante US$ 7,05 bilhões do mesmo intervalo do ano passado. "O real valorizado vem reduzindo a competitividade das nossas exportações, que cresceram apenas 5% no período", ressaltou Barbato.

A Abinee divulgou ainda projeção de que o mercado de computadores deverá produzir este ano 14 milhões de unidades, o que representará um acréscimo de 16,6% sobre 2009 - que foi de 12 milhões, mesmo volume de 2008. No primeiro semestre, as vendas de desktops atingiram 3,158 milhões, frente a 3,05 milhões de notebooks. "A tendência é de que a venda de notebooks possa superar a de desktops ainda este ano", disse Barbato.

Já a produção total de telefones celulares deverá se igualar este ano ao montante de 2009, que totalizou 62 milhões de aparelhos. Este resultado é inferior ao de 2008, que atingiu 73 milhões. A queda no período das exportações de aparelhos explica essa redução, segundo Barbato. A produção de celulares destinada ao mercado interno, contudo, se mantém estável, na faixa entre 45 milhões e 48 milhões desde 2007.

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