Fiesp minimiza recuo da atividade industrial em abril

Segundo entidade, retração de 0,4% no INA é uma acomodação decorrente do fim dos incentivos fiscais à linha branca e aos automóveis

Ana Conceição, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 17h46

A primeira queda mensal na atividade da indústria paulista desde fevereiro de 2009 não preocupa a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que considerou o recuo de 0,4% no Indicador do Nível de Atividade (INA) em abril, com ajuste sazonal, como uma acomodação decorrente, em parte, do fim dos incentivos fiscais para a compra de automóveis e eletrodomésticos da linha branca. "Não dá para dizer que esse resultado é um sintoma de perda de vigor. A indústria deve manter o crescimento, mas em ritmo menor", afirmou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade (Depecon).

No cálculo sem ajuste sazonal, o nível de atividade industrial registrou queda de 5,6% em abril, ante março. Em relação a abril de 2009, o INA aumentou 13,6% no mês passado.

O diretor diz que, apesar do recuo do INA, a produção não foi muito afetada, tanto que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) cresceu de 80,8% em março para 82% em abril, nível considerado "comportado e saudável". O que de fato pressionou o indicador do nível de atividade foi a queda nas vendas da indústria, uma das quatro variáveis que compõem o INA.

As outras são horas trabalhadas, salários e utilização da capacidade de produção. "Isso foi consequência do término, em março, dos programas de incentivo fiscal no setor automobilístico e de eletrodomésticos da linha branca. Houve um grande esforço de antecipação de vendas e faturamento", afirmou Francini. Para ele, a queda nas vendas foi temporária.

Zerado

Em que pese a queda de abril, a atividade industrial ficou positiva (1,4%) pela primeira vez no acumulado de 12 meses desde o início da crise, em setembro de 2008. Com isso, a indústria paulista praticamente zerou as perdas desde aquele período. A atividade está apenas 1,5% abaixo da de setembro de 2008, algo que deve ser recuperado já em maio, segundo expectativa da Fiesp.

Segundo Francini, ao ritmo que estava antes de abril, a indústria paulista cresceria de 16% a 17% em 2010. "Não temos nem logística para isso", disse. Com a desaceleração, deve crescer 13%.

Na análise por setores, o de máquinas e equipamentos, um dos mais afetados pela crise, continuou a apresentar elevação de atividade. O INA do setor subiu 2,7% com ajuste em abril, ante março, e teve aumento de 50,8%, sem ajuste, ante abril de 2009. No acumulado de 12 meses, contudo, o índice ainda é negativo em 4%.

"Temos convicção de que empresas estão se equipando para atender à demanda futura. O resultado positivo do INA do setor se deve ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que prevê crédito com taxa de 4,5% ao ano (até junho) e foi prorrogado até 31 de dezembro (5,5% a partir de julho).

O setor automotivo teve queda de 3,2% no nível de atividade em abril, ante março, com ajuste sazonal, mas ainda ficou positivo em 21,7% ante abril do ano passado, sem ajuste.

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