Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa segue exterior e cai 1%, após bancos centrais apertarem os estímulos; dólar sobe 0,1%

Além da previsão de três altas nos juros nos EUA em 2022, bancos centrais da Zona do Euro, Reino Unido e Japão também subiram o tom e decidiram apertar os estímulos

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2021 | 18h57

O mau humor do mercado de Nova York, diante da cautela com o avanço da variante Ômicron e a perspectiva de aperto monetário por importantes bancos centrais, pesou na Bolsa brasileira (B3) nesta sexta-feira, 17, que fechou em queda de 1,04%, aos 107.200,56 pontos. Os temores também respingaram no dólar, que subiu forte no exterior - por aqui, porém, a moeda teve apenas leve alta de 0,10%, a R$ 5,6810.

Nem mesmo o leilão do excedente da cessão onerosa, que arrecadou R$ 11,1 bilhões, o aumento do preço do minério na China ou o bom desempenho do setor de alimentos conseguiram segurar o efeito negativo que se abateu sobre o Ibovespa hoje - mas ajudaram a contê-lo. Na mínima do dia, o índice chegou aos 106.517,80 pontos, em queda de 1,67%. No pico, foi aos 108.324,34 pontos. Na semana, o balanço foi de estabilidade, com o Ibovespa acumulando queda de 0,52%. No mês, sobe 5,19%.

"A inflação acabou vindo mais rápida e num volume muito acima do que se esperava e isso obrigou os BCs a antecipar a redução de estímulos monetários. Ela já ocorreria, mas não esperávamos que fosse tão rápida. O que estamos vendo hoje é um reflexo disso", explica Zeller Bernardino, da Valor Investimentos.  

Além da aceleração da redução de estímulos e previsão de três altas nos juros nos Estados Unidos em 2022, anunciada na quarta pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o mercado viu ainda decisões mais duras na Zona do Euro e no Reino Unido, ontem, e do Japão, que anunciou nessa madrugada que encerrará seu programa de estímulos no ano que vem. Com a onda de aperto pelos bancos centrais, o mundo se preocupa agora com os efeitos práticos sobre a quantidade e o fluxo de investimentos, com a liquidez do mundo mais enxuta e ativos de menor risco mais atraentes, o que prejudica emergentes. 

"Os investidores seguem bastante cautelosos e ainda digerindo as decisões de política monetária dos bancos centrais mundo afora, que seguem a prioridade de lutar contra a inflação alta, restringindo flexibilizações monetárias. Ao mesmo tempo em que a gente vê possíveis impactos da variante ômicron mundo afora", completa Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos.

A nova variante da covid-19 voltou aos holofotes hoje, após dados preocupantes, sobretudo na Europa. No Reino Unido, o governo prevê que os casos devem dobrar a cada dois dias. Ontem o país teve 88 mil casos de coronavírus - recorde desde o início da pandemia - e estima-se que 41% das infecções sejam pela nova variante. Além disso, na África do Sul, um dos primeiros países a registrar casos da Ômicron, houve aumento de 70% das pessoas hospitalizadas.

Em Nova York, Dow Jones e S&P 500 encerram o dia em queda de 1,48% e 1,03%. Já Nasdaq, que chegou a operar no azul, encerrou o pregão perto da estabilidade, em baixa de 0,07%. Na Europa, Frankfurt caiu 0,67% e Paris, 1,12% - a Bolsa de Londres, porém, foi na contramão e subiu 0,13%.

Além de inserir cautela nas bolsas globais, as notícias derrubaram o preço do barril de petróleo. A queda ocorre sobretudo porque, caso novos lockdowns ou restrições sejam impostas, há um impacto na demanda. Assim, o barril do Brent terminou o dia em queda de 2,00%, e o WTI, de 1,98%. 

Com isso, as ações da Petrobras terminaram o dia em queda de 2,44% para ON e 2,36% para PN. Movimento similar ocorreu com as siderúrgicas e metalúrgicas, que não conseguiram emplacar bom desempenho mesmo com alta de 3,05% no preço do minério de ferro na China. A Vale, papel de maior peso no Ibovespa, encerrou o dia com recuo de 1,58%.

No setor financeiro, os bancos também contribuem com forte desempenho negativo, com Banco do Brasil liderando as perdas e caindo mais de 3%. Destaque para a BRF, que subiu 5,39% após anunciar, ontem, aumento de capital por meio de oferta pública de distribuição primária, que tem potencial de movimentar R$ 6,6 bilhões. A Marfrig, que detém parte da BRF, também subiu 3,71%.

Câmbio

Depois de subir até R$ 5,7154 na máxima, em meio à pressão de saída de recursos e ao ambiente externo negativo diante do avanço da Ômicron, o dólar perdeu força e operou ao longo da tarde ao redor da estabilidade, encerrando o dia em leve alta. 

Segundo Ricardo Gomes da Silva, diretor da corretora Correparti, a percepção de que o fluxo de ingresso estrangeiro poderá aumentar por conta do resultado de leilões de campos de petróleo realizados hoje abriu a porta para que exportadores vendessem moeda tanto no mercado à vista como no futuro. Isso explica a perda de fôlego do dólar ao longo da tarde, embora ainda a moeda tenha fechado em alta.

No acumulado da semana, a moeda registra alta de 1,26%, que poderia ter sido maior não fossem as intervenções do Banco Central brasileiro. Desde sexta-feira passada, 10, até ontem, o BC vendeu US$ 3,372 bilhões em quatro leilões à vista e US$ 500 milhões em leilão de linha para rolagem.

Ao fluxo pesado de saída de recursos somou-se um ambiente externo mais desafiador para ativos de risco e moedas emergentes, por conta das decisões de política monetária dos bancos centrais dos países desenvolvidos.  "A questão de aumento dos juros nos Estados Unidos pode pesar nas moedas emergentes na próxima semana", afirma a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest. /BÁRBARA NASCIMENTO, ANTONIO PEREZ E MAIARA SANTIAGO

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