2º turno das eleições está no foco dos investidores

O feriado prolongado no Brasil, a comemoração, hoje, do Dia de Colombo nos Estados Unidos e a ausência de indicadores importantes aqui e no exterior fazem com que a semana no mercado tenha como foco principal o 2º turno da eleição presidencial. Passada a euforia com o desempenho acima do esperado do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) no 1º turno, é hora de se ater às pesquisas, ao reinício do programa eleitoral gratuito na televisão e aos debates. Os números da primeira pesquisa Datafolha do 2º turno mostram o presidente Lula (PT) 8 pontos à frente de seu opositor na contagem que considera apenas os votos válidos. O resultado deve ter alguma repercussão nos negócios hoje. "O cenário com Alckmin presidente é mais bem visto pelos investidores", disse o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. Segundo ele, são basicamente duas as razões que explicam essa simpatia pelo tucano. Em primeiro lugar, Alckmin teria uma agenda voltada à melhora da eficiência da máquina pública, o que abriria espaço para mais investimentos e, conseqüentemente, crescimento econômico maior. A segunda vantagem, segundo Neto, seria a governabilidade. "Para Lula, seria mais difícil, por conta dos escândalos, como o do dossiê." Seu colega Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que, nesse ambiente de volatilidade política, é difícil estabelecer uma tendência para os principais ativos financeiros. "Os investidores estão cautelosos", afirmou. Ele concorda com a avaliação de Neto quanto à predileção dos agentes econômicos por Alckmin. "Não há grandes diferenças programáticas entre os dois candidatos, mas o tucano é considerado um técnico, enquanto Lula é um político clássico", afirmou. "Ou seja, Alckmin tenderia a ser mais responsável na gestão pública, como já mostrou em São Paulo." Do ponto de vista de indicadores econômicos, a semana será marcada pela divulgação de três índices de inflação. Na quarta-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulga o número relativo à primeira quadrissemana de outubro. No mesmo dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) solta a primeira prévia do mês do IGP-M. Hoje, a FGV anuncia a primeira medição de outubro do IPC-S. A expectativa dos analistas é de que todos mostrem inflação baixa, o que abre espaço para uma redução de 0,5 ponto porcentual da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que ocorre nos dias 17 e 18 de outubro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.