2º turno pode emperrar negociação entre Petrobras e Bolívia

A indefinição no quadro eleitoral brasileiro pode adiar as negociações entre Petrobras e Bolívia sobre a nacionalização dos ativos da estatal brasileira. A avaliação é de especialistas e autoridades bolivianas, que acreditam em um discurso mais duro dos dois candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, em relação ao tema. O prazo para as negociações sobre o preço termina no dia 12 e para a assinatura dos novos contratos, no dia 28."Um segundo turno eleitoral no país vizinho só adiaria o processo de negociações entre a Petrobras e a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB)", admitiu o ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana. Além do preço do gás, as duas empresas negociam a adequação dos negócios da estatal brasileira às novas regras do mercado boliviano de petróleo e gás. Novos contratos devem ser assinados até 28 de outubro, um dia antes do segundo turno da eleição.Na opinião do analista político Humberto Vacaflor, diretor da Carta Informativa Século XXI, o tema boliviano será um dos mais importantes no embate entre Lula e Alckmin. "Os candidatos disputarão quem será mais duro com a Bolívia." Para ele, Lula terá de defender em campanha "que não cederá à Bolívia", posto que os candidatos verificaram no primeiro turno que o eleitorado quer que o Brasil se imponha com firmeza em relação à Bolívia."O contato com a Bolívia será menos ideológico e mais pragmático porque as fraquezas internas obrigarão Lula a ser mais duro com nosso país", avalia o economista Gonzalo Chávez, da Universidade Católica Boliviana. Durante a campanha para o primeiro turno das eleições, a atitude do governo em relação à Bolívia foi alvo de críticas dos adversários.A avaliação dos bolivianos encontra eco no Brasil. Para o consultor Adriano Pires, os dois governos estão numa situação complicada. "Lá, há uma expectativa grande com relação à nacionalização. Aqui, o quadro eleitoral está totalmente indefinido e qualquer deslize pode ser fatal", afirma. Um sinal dessa mudança de atitude foi a dura reação do presidente Lula à resolução que tomou o controle das refinarias, há cerca de um mês.Embora não veja motivação política, o consultor Marco Aurélio Tavares, da Gas Energy, também aposta em prorrogação do prazo de negociações sobre o preço do gás, que já foi adiado uma vez, em agosto. Ele lembra que, em 2003, a Petrobras pediu uma redução dos preços e as negociações levaram quase dois anos, sem resultados.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2006 | 08h57

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