À espera do Copom e do PIB, dólar tem dia de alta

Apesar do leilão de venda de dólar do Banco Central, moeda opera na faixa de R$ 2,40 

Silvana Rocha, da Agência Estado,

27 de agosto de 2013 | 09h57

O dólar abriu em alta em relação ao real, influenciado pelo ambiente de aversão ao risco no exterior e o sentimento de cautela antes da decisão do Copom para a taxa Selic amanhã, 28, e da divulgação do Produto Interno Bruto brasileiro do segundo trimestre na sexta-feira, 30.

O mercado doméstico também adiciona tensão aos negócios. Embora tenham reduzido suas apostas na valorização do dólar na última sexta-feira, 23, os investidores estrangeiros e os fundos de investimento seguem comprados líquidos em derivativos cambiais, em cerca de US$ 18,5 bilhões. São esses agentes que estão enfrentando os bancos - que estão vendidos na mesma proporção, porque apostaram na queda da moeda -, na rolagem de contratos futuros na BM&FBovespa.

Nesse contexto, o leilão de até US$ 500 milhões em swap cambial do Banco Central (venda de dóalr futuro) foi insuficiente para segurar o dólar e inverter a sua tendência, segundo operadores de câmbio ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

O dólar abriu a R$ 2,414, em alta de 1,09% no balcão. Às 11h05, subia 0,54%, cotado a R$ 2,401. Na máxima, atingir R$ 2,415.

No exterior, o dólar sobe ante o euro e moedas commodities nesta manhã de terça-feira, 27. A aversão ao risco lá fora se apoia em indicadores mistos divulgados nos Estados Unidos, que reforçam as dúvidas sobre o início da redução de estímulos no país. A crescente expectativa de uma ação militar norte-americana contra a Síria também adiciona tensão.

Do lado interno, a cautela é sustentada ainda pela espera da decisão de política monetária do Copom, que se reúne hoje e amanhã, 28, e pela divulgação do Produto Interno Bruto brasileiro do segundo trimestre, na sexta-feira. A perspectiva é de um aumento de 0,50 ponto porcentual da taxa Selic, a fim de conter a pressão derivada do câmbio sobre a inflação, entre outros fatores, visando favorecer o crescimento do País, que pode ficar entre 0,6% e 1% no segundo trimestre, segundo estimativas dos agentes financeiros.

No mercado internacional, além da demanda por dólar e pelo iene, os investidores estão buscando proteção nas commodities, como o ouro e o petróleo, que operam em alta. De outro lado, as bolsas em âmbito mundial e os juros dos Treasuries mostram sinais mistos.

A pressão sobre os mercados emergentes provocada pela perspectiva de redução de estímulos nos Estados Unidos voltou a ser criticada pela China. As autoridades do governo chinês intensificaram seus alertas ao Federal Reserve sobre a redução iminente da política de estímulos à economia norte-americana. "Os países desenvolvidos devem considerar os impactos de suas alterações de política monetária sobre os mercados emergentes", disse o vice-presidente do PBoC, Yi Gang. Segundo o vice-ministro de Negócios Estrangeiros, Li Baodong, o capital já começou a fluir dos mercados emergentes. Já o vice-ministro de Finanças chinês, Zhu Guangyao afirmou que o governo da China está confiante de que atingirá a meta de crescimento de 7,5% em 2013 e que será prudente na utilização de estímulo para conseguir isso.

Nesse sentido, o Banco do Povo da China (PBoC) anunciou oferta de 29 bilhões de yuans (US$ 4,7 bilhões) em acordos de recompra reversa de sete dias em operação realizada nesta terça-feira. A oferta ocorre após o PBoC reabrir uma oferta de 51,5 bilhões de yuans em títulos de três anos ontem para devolver liquidez ao sistema bancário.

No segmento de moedas, a rupia indiana atingiu novas mínimas recordes ante a moeda norte-americana. O dólar também cravou altas históricas ante a lira turca, com uma pressão adicional após o banco central do país não sinalizar grande mudança na política para apoiar a moeda local. Já o shekel de Israel despencou para o menor nível desde julho.

Em Nova York, às 9h44, o euro valia US$ 1,3335, de US$ 1,3370 ontem, 26; o dólar recuava a 97,47 ienes, de 98,50 ienes na véspera. O ouro subia 1,15%, a US$ 1.420,90 por onça-troy. O Petróleo para outubro em Nova York subia 2,02%, a US$ 108,06 por barril.

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